Encontro em segredo entre Sharon e rei da Jordânia

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Publicado sábado, 8 de março de 2003 as 21:19, por: cdb

O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, se reuniu em segredo com o rei da Jordânia, Abdala, para coordenar os passos de ambos os países diante de um possível ataque americano contra o Iraque.

O encontro aconteceu há cerca de três meses “em território jordaniano”, informou o Canal 2 da televisão israelense.

Apesar da crise entre palestinos e israelenses, que levou a um afastamento de Israel por parte dos países árabes com regimes moderados como Jordânia e Egito – com os quais têm acordos de paz assinados -, Sharon e Abdala tiveram várias reuniões secretas, reforçou a fonte.

O último desses encontros foi pouco antes das eleições de 28 de janeiro passado em Israel, nas quais Sharon foi reeleito como premier. Os dois governantes conversaram sobre os planos de paz de Sharon em relação aos palestinos e sobre a guerra no Iraque.

As informações coincidem com uma pesquisa do mesmo canal de TV, segundo a qual Israel e Jordânia teriam feito um acordo verbal em 1990, quatro anos antes de assinar seu tratado de paz, com Israel se comprometendo a não atacar o Iraque para não colocar em perigo o regime do então monarca Hussein.

Esse acordo foi alcançado antes da Guerra do Golfo e negociado entre o então primeiro-ministro israelense, o direitista Isaac Shamir, e o rei jordaniano Hussein.

O mais curioso, disse a televisão, é que nem mesmo os Governos de ambos os países sabiam do acordo. O Conselho de Ministros israelense, por exemplo, tomou conhecimento de sua existência apenas em 19 de janeiro passado, quando os primeiros mísseis iraquianos caíram sobre este país.

Foi quando Shamir teve de dizer aos ministros que tinha se comprometido a não violar o espaço aéreo jordaniano, nem seu território, numa possível represália contra o Iraque, que lançou, em 1991, cerca de 40 mísseis Scud contra Israel.

Até agora, acreditava-se que a resposta israelense tinha sido evitada por pressões dos EUA e da comunidade internacional.

Além do acordo verbal com a Jordânia, outro elemento importante foi o fato de o Exército israelense ter interrompido anos antes todas as operações de acompanhamento e informação no Iraque. Assim, os militares israelenses não dispunham de mapas atualizados, nem de dados dos serviços de informação para uma ação ordenada e com possibilidades de sucesso.

Essa interrupção, decidida pelo então ministro da Defesa e depois assassinado primeiro-ministro, Isaac Rabin, foi resultado da falta de recursos e da crença de que o Iraque não representava uma ameaça real para Israel.

Esta informação também foi divulgada apenas na reunião do dia 19 de janeiro do Conselho de Ministros, como confessou um dos participantes, o ultra-ortodoxo Arie Deri.

Na noite deste sábado, também foi divulgado que Sharon se reuniu em segredo com o chefe da CIA, George Tennet, para discutir assuntos relacionados com um possível ataque dos EUA ao Iraque.

Fontes “bem informadas”, segundo o jornal, disseram que Tennet fez uma rápida viagem pelo Oriente Médio e se reuniu com outros líderes da região.

O encontro Tenet-Sharon durou várias horas e teve a participação de altos comandantes dos organismos israelenses de segurança.