Enchentes contaminam água em cinco Estados do nordeste

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Publicado quarta-feira, 24 de março de 2004 as 19:46, por: cdb

Testes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) detectaram contaminação na água para consumo humano em cinco estados nordestinos atingidos pelas últimas enchentes, no início de 2004. A Fundação já acionou Unidades Regionais para o Controle da Qualidade da Água (URCQA) e Unidades Móveis para Monitoramento e Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano (UMCQA), atendendo a 65 municípios e aldeias nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

Em Pernambuco, foram visitadas 18 localidades e colhidas 71 amostras bacteriológicas, das quais 70 apresentaram contaminação de bactérias do grupo de coliformes totais e fecais. Somente a água da sede do município de Cabrobó (no Sertão, a 586 quilômetros do Recife) não estava contaminada.

No Piauí, foram coletadas 119 amostras bacteriológicas, sendo que 66 apresentaram coliformes totais. Destas, 23 acusaram Escherichia Coli e 21 foram negativas para coliformes totais e fecais.

No Rio Grande do Norte, um dos estados mais atingidos pelas enchentes deste ano, as equipes das unidades móveis visitaram 24 municípios. As situações de maior risco para a população foram detectadas em Anacé, Barrocas, Cachimbo Seco, Carnaúbas, Catu, Miranda, Papuçu, São José de Campestre e São Paulo de Potengi.

De acordo com as equipes da Funasa, o povoado de Jacarau apresentou uma das situações mais dramáticas: a população ficou sem água, isolada e as cacimbas foram totalmente contaminadas. As análises apontaram a contaminação de 47% das localidades visitadas.

Os exames dos municípios do Ceará e da Paraíba foram feitos pelas Unidades Regionais para o Controle da Qualidade da Água (URCQA). Nos municípios cearenses de Barbalha, Brejo Santo, Fortaleza e Salitre, em conjunto com a Defesa Civil. Na Paraíba, a URCQA examinou as águas dos municípios de Alagoa Grande, Arara, Aroeiras, Bananeiras, Bayeux, Gurinhém, Ingá e Mulungu.

Constatado o comprometimento da qualidade no abastecimento da água, a Funasa busca soluções junto às prefeituras e os governos estaduais, responsáveis pelo fornecimento de água. Até que a água possa ser consumida, o abastecimento é feito por meio de caminhões pipa e recebe hipoclorito de sódio para desinfecção.

Foram destinados cerca de R$ 300 mil para compra de materiais e equipamentos para os testes de qualidade da água. Os recursos disponibilizados são suficientes para a realização de 8 mil análises bacteriológicas. As UMCQA realizam testes de coloração, bacteriológicos e de pH da água.

Uma das três unidades móveis continua em campo no Estado de Pernambuco, para possíveis situações de risco, tanto nesse estado como no Piauí e no Rio Grande do Norte. As unidades móveis estiveram em 53 sedes municipais e aldeias indígenas.