Empréstimos crescem mas não satisfazem brasileiros

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 11:35, por: cdb

Apesar do volume de crédito ter crescido 17,6% em 2004, segundo dados do Banco Central (BC), analistas não se animaram. A visão comum é de que, mesmo com a evolução expressiva em termos nominais, o crédito continua registrando volumes muito aquém dos esperados para o país.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo BC, o volume total dos empréstimos atingiu R$ 484 bilhões no ano passado. Para as pessoas físicas, as concessões somaram R$ 125,7 bilhões e, para indústria, o total emprestado foi de R$ 124,7 bilhões.

A participação do crédito no Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 26,3%, uma alta de 0,5% sobre dezembro de 2003.

– Para um país como o Brasil, que espera crescer muito ao longo dos próximos anos, o crédito ainda deixa a desejar e registra volumes muito baixos se comparado a outros países que possuem economias de menor porte – diz o analista da ABM Consulting, Antonio Carlos Carvalho.

De acordo com o analista, a alta dos volumes não tem repercutido da maneira desejada sobre as taxas cobradas nos empréstimos, principalmente para as pessoas físicas. Enquanto as concessões para esse segmento registraram uma alta de 28,9% ao ano, as taxa médias cobradas nessa linhas recuaram apenas 5,1%, para 61,5% ao ano.

– Esse é um grande problema, pois as perspectivas de endurecimento da política monetária não permitem que os bancos abaixem as taxas nas mesma proporção da ampliação das carteiras de crédito.

Para o analista de macroeconomia da consultoria de investimentos Lopes Filho & Associados, Julio Hegedus, o fato mais importante para os empréstimos em 2004 foi a ampliação do acesso da população às linhas de crédito.

– Sem dúvida, há uma facilidade maior para se tomar crédito, mas esse aumento do acesso se deu muito mais na baixa renda – diz.

Segundo ele, isso pôde ser notado com mais eficácia nas linhas de crédito consignado, que atingiram um volume de concessões de quase R$ 12 bilhões com taxas razoavelmente inferiores às cobradas nos empréstimos tradicionais disponíveis para as pessoas físicas.

– Mas no cheque especial, por exemplo, as taxas continuaram bastante altas, o que mostra que a classe média ainda não se beneficiou tanto da alta do crédito em 2004 – considera Hegedus.

Segundo os dados do BC, o volume de desembolsos no cheque especial cresceu 9,9% no ano passado, porém as taxas caíram apenas 0,6%, para 144% ao ano. Apenas em dezembro, as taxas médias cobradas no financiamento via cheque especial subiram 2%. Já no último trimestre do ano, quando a Selic já se encontrava numa trajetória ascendente, a evolução das taxas foi de 3,4%.

Carvalho, da ABM Consulting, ainda destaca o aumento da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nos empréstimos para o setor produtivo em 2004 como um fator que pode gerar uma queda nas taxas para pessoas jurídicas neste ano.

– Como o BNDES vem atuando mais fortemente e deve ampliar as concessões em 2005, os bancos podem promover uma redução das taxas evitando perder clientes para o banco estatal – diz.

No ano passado, o BNDES ampliou as concessões em 4%, registrando um saldo de R$ 96,6 bilhões. As taxas médias cobradas nos empréstimos com recursos livres para empresas fecharam o ano em 31% ao ano – alta de 0,8% em relação a 2003.