Empresário nega envolvimento com sindicalistas e acusa SPTrans

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Publicado quinta-feira, 5 de junho de 2003 as 17:28, por: cdb

O empresário Romero Teixeira Niquini, o primeiro a depor nas investigações da chamada “máfia dos transportes” em São Paulo, negou nesta quinta-feira envolvimento com integrantes do sindicato dos motoristas e cobradores e fez acusações contra a SPTrans (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade).

A PF (Polícia Federal) investiga um esquema de pagamento de propinas e fraudes trabalhistas que envolveria sindicalistas e dono de viações. A polícia quer saber sobre remessas que somam US$ 12 milhões e que, feitas entre 1996 e 1997, foram parar em contas no exterior das viações Januária e Campo Limpo.

Niquini seria um dos controladores das empresas. Segundo as investigações, as viações de seu grupo e de Baltazar José de Souza devem, juntas, R$ 260 milhões ao INSS.

A partir das remessas, o Ministério Público de Santo André também vai apurar se o dinheiro pode ter relação com eventuais pagamentos de propina feito por empresários. Todos negam irregularidades.

Depoimento

Em depoimento nesta quinta-feira, Romero Teixeira Niquini negou ligação com os sindicalistas. Sobre uma assinatura sua e um dos pagamentos, ele disse que foi obrigado por um interventor da SPTrans.

Ele também acusou a SPTrans de desviar dinheiro arrecadado pelas empresas e de conceder empréstimos a empresários para o pagamento dos salários, segundo informações da rádio CBN.

Procurada pela reportagem, a SPTrans afirma que se pronunciará sobre o caso somente após ser comunicada oficialmente sobre o depoimento do empresário.

Prisão

A Justiça federal decretou no último dia 28 a prisão preventiva (até o julgamento) de 19 dirigentes do sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo, entre eles o presidente da entidade, Edivaldo Santiago.

Eles foram denunciados pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha armada, dano qualificado, paralisação de trabalho de interesse coletivo, paralisação de trabalho mediante violência, frustração de direitos trabalhistas, desobediência e coação durante processo.