Empresa americana implanta microchips em crianças e causa protestos

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Publicado sexta-feira, 17 de outubro de 2003 as 14:28, por: cdb

O anúncio de que a empresa mexicana Solusat está lançando um serviço para implantar microchips de rastreamento em crianças, como forma de prevenir seqüestros, gerou uma onda de protestos. Lauren Weinstein, criador do Privacy Forum, publicação online dedicada a questões de tecnologia e privacidade, acha que os criminosos poderiam facilmente driblar o sistema.

“Meu medo”, disse Lauren, em entrevista ao WiredNews, é que “eles recorram a facas e canivetes para retirar o microchip”. Já o Epic (Electronic Privacy Information Center), centro de pesquisa dedicado às liberdades individuais, alerta que o implante é ilegal e perigoso.

Apesar das críticas, a Solusat ganhou o apoio da Fundação de Investigação de Crianças Roubadas e Perdidas, que concordou em promover a iniciativa. Afinal, segundo a entidade, 133 mil crianças foram seqüestradas nos últimos cinco anos no México.

Os meios utilizados para encontrar as crianças ainda não foram definidos. Carlos Altamirano, executivo da Solusat, pensa em instalar scaners semelhantes aos detetores de metais usados em aeroportos, em shoppings, estações rodoviárias e outros lugares estratégicos, para identificar os microchips.

Do tamanho de um grão de arroz, o microchip, que será vendido com o nome de VeriKid, é praticamente o mesmo que vem sendo utilizado, com sucesso, em animais de estimação e gado. Colocado sob a pele, ele transmite um sinal de rádio. Um scaner especial capta o sinal e obtém o seu número que é, então, cruzado com um banco de dados que contém as informações sobre quem está usando-o.

O chip e sua implantação custarão cerca de US$ 200, mais uma anuidade de 50 dólares para a sua manutenção. O scanner portátil sairá por US$ 1,2 mil. A Solusat não divulgou o preço dos scanners de porta. A Applied Digital Solutions, fabricante do VeriKid, promete comercialízá-lo brevemente em outros países.