Embaixador não quer verba iraquiana pagando inspetores da ONU

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 1 de fevereiro de 2005 as 21:03, por: cdb

O dinheiro do petróleo iraquiano não deve mais ser usado para o pagamento dos inspetores de armas da ONU, que há dois anos suspenderam sua busca por armas proibidas no país, disse na terça-feira o representante de Bagdá na ONU, Samir Sumaidaie.

Ele também defendeu o fim gradual dos dividendos do petróleo para indenizar vítimas da invasão ao Kuweit, ocorrida em 1990, e propôs a suspensão do embargo de armas imposto na mesma época pela Organização das Nações Unidas (ONU).

– Declaramos claramente ao mundo que queremos estar em paz com nossos vizinhos. Portanto, sanções e restos de sanções impostas ao antigo regime são anacrônicas e inadequadas, e vamos trabalhar para removê-las –  afirmou Sumaidaie, acrescentando que o assunto deve ser tratado pelo Conselho de Segurança.

As sanções da ONU previam que o dinheiro obtido com a venda de petróleo — 67 bilhões de dólares entre 1996 e 2003 — fosse dividido entre vários programas administrados pela entidade.

Embora alguns deles, como o que previa a troca de petróleo por alimentos, já tenham sido desativados, parte do dinheiro recolhido no passado ainda está sendo usada para financiar as equipes de inspeções de armas que foram retiradas do país pouco antes da invasão norte-americana, em março de 2003.

A Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção, que atualmente tem orçamento anual de cerca de 12 milhões de dólares, está paralisada desde então, enquanto o Conselho de Segurança decide o que fazer com ela.

Uma porcentagem fixa dos dividendos do petróleo ainda está reservada para as indenizações relativas à ocupação do Kuweit, como prevê a Comissão de Compensações da ONU, que funciona em Genebra e ainda está examinando todos os casos.

A comissão recebeu pedidos de indenização que chegavam a 350 bilhões de dólares, e aprovou até agora o pagamento de 51,8 bilhões de dólares. “Não queremos ficar fazendo caridade para sempre”, disse Sumaidaie. “Temos de ter um encerramento.”

Sumaidaie, que é árabe sunita, disse que os resultados preliminares da eleição de domingo serão divulgados na quarta-feira. Ele minimizou as preocupações de que a minoria sunita não tenha espaço no novo governo. “Acredito que há uma clara vontade, uma determinação de todas as partes, em garantir que todos estejam incluídos no momento da redação da Constituição.”