Em um dia de violência no Iraque, ataques de todas as direções

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Publicado quarta-feira, 2 de julho de 2003 as 15:50, por: cdb

A violência no Iraque não mostrou sinais de diminuição na terça-feira, com uma enorme explosão matando pelo menos cinco pessoas em uma mesquita, seis soldados americanos sendo feridos em três ataques separados, e soldados americanos matando quatro iraquianos em barreiras em Bagdá.

As trocas de tiros e explosão pareceram vir de todas as direções na terça-feira, deixando um rastro de amargura, confusão e sede de vingança. Entre os mortos estavam militantes muçulmanos antiamericanos e algumas pessoas que simplesmente estavam no lugar errado na hora errada.

Em Falluja, a 56 quilômetros a oeste de Bagdá, uma explosão de origem desconhecida atingiu o escritório da frente de uma mesquita por volta das 23 horas da noite de segunda-feira. Membros da mesquita imediatamente acusaram as forças americanas de dispararem um míssil contra eles, mas os oficiais do Exército disseram que a explosão parecia ter sido gerada no interior da própria mesquita.

Em Tikrit, as autoridades iraquianas informaram na terça-feira que assassinos não-identificados mataram à tiros Abdullah Mahmoud al-Khattab, o chefe da tribo Bani al-Nasiri de Saddam Hussein. O assassinato, que ocorreu no domingo passado, foi o mais recente de uma série executada contra líderes tribais que detinham poder sob o governo anterior.

Estes incidentes da manhã deixaram os ansiosos soldados americanos ainda mais dispostos a puxar o gatilho. No final da tarde de terça-feira, soldados em uma barreira em um dos bairros mais ricos de Bagdá abriram fogo contra três carros diferentes e mataram pelo menos dois iraquianos.

Muhammad Jassim, um muçulmano sunita militante que estava do lado de fora dos escritórios destruídos da mesquita Al Hassan, em Falluja, onde ocorreu a explosão, forneceu na terça-feira um vislumbre da dinâmica da escalada da violência.

“Qualquer um que matar um iraquiano nesta cidade enfrentará uma reação, uma reação aleatória”, disse Jassim. “Pode ser que outras pessoas sejam feridas, pessoas inocentes. E depois disso, as famílias das vítimas pedirão vingança”.

L. Paul Bremer III, o administrador americano encarregado do Iraque, tem insistido repetidamente que a vida está voltando ao normal no Iraque, dizendo que as feiras livres estão mais movimentadas do que nunca e que mulheres e crianças caminham mais livremente pelas ruas do que logo após o fim do combate principal.

Na terça-feira em Washington, o presidente Bush atribuiu a culpa por grande parte da violência a pequenos grupos leais a Saddam Hussein e seu Partido Baath.

Enquanto isso, em Bagdá, os soldados americanos sofreram pelo menos três ataques diferentes na terça-feira com granadas propelidas por foguete.

O mais sério ocorreu por volta das 10 horas da manhã no bairro de Mustansiriya, perto da Universidade de Bagdá. Segundo oficiais americanos, um comboio do Exército estava se movendo lentamente pelo trânsito congestionado quando um sedã vermelho se aproximou vindo da direção aposta.

Segundo uma testemunha na rua, um homem se levantou pelo teto solar do sedã e disparou uma granada propelida por foguete contra o jipe Humvee. O Humvee foi envolvido imediatamente em chamas e testemunhas disseram que viram os soldados americanos retirarem dois soldados e um civil iraquiano, que ficaram gravemente feridos.

Os agressores escaparam sem deixar pista. Os oficiais militares não confirmaram na terça-feira se os soldados sobreviveram.

Ocorreram pelo menos outros dois ataques contra caminhões militares na terça-feira. O número total de ataques contra veículos militares é consideravelmente maior do que o número de incidentes anunciados pelos oficiais americanos. Apesar de freqüentemente dispostos a confirmar ataques quando perguntados sobre eles, os oficiais do Exército raramente anunciam incidentes que não resultam em alguma baixa americana.

Na noite de sábado, por exemplo, um comboio do Exército em Bagdá foi atacado, mas a granada propelida por foguete atingiu um caminhão iraquiano. Os