EM MEIO A GREVE GERAL, BERLUSCONI DEBATE PLANO DE AUSTERIDADE

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 6 de setembro de 2011 as 08:16, por: cdb

ROMA, 6 SET (ANSA) – O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, deve se reunir ainda hoje com líderes políticos para discutir possíveis mudanças no plano de austeridade elaborado recentemente pelo governo e que é o principal motivo da greve geral de oito horas que atinge o país.
   
Várias cidades italianas aderiram à greve geral convocada pelas centrais sindicais em protesto ao plano. O texto da manobra econômica vai ser votado nesta terça-feira no Senado e, se aprovado, seguirá para a Câmara dos Deputados.
   
Os sindicatos informaram que cerca de 200 vôos foram cancelados nos aeroportos de Milão e Roma. No transporte ferroviário, 50% dos trens pararam de circular. As linhas de metrô e de ônibus também não estão operando na maior parte do país.
   
Várias passeatas foram realizadas principalmente em Roma e Milão, prejudicando o trânsito.
   
Os hospitais também tiveram seus serviços comprometidos, pois os médicos aderiram à paralisação e apenas os serviços de emergência foram mantidos.
   
A Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL), a maior central sindical da Itália, condena o plano do governo que pretende cortar 45 bilhões de euros nos próximos dois anos como forma de equilibrar o orçamento do país, pois acredita que a manobra prejudica os trabalhadores.
   
O plano de austeridade prevê cortes de 20 bilhões de euros para 2012 e de 25 bilhões de euros para 2013. Atualmente, a dívida pública italiana está em 120% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
   
Na semana passada, o Executivo italiano aprovou mudanças no plano que incidem sobre a aposentadoria, que passará a ser calculada somente sobre os anos de trabalho efetivo, sem levar em consideração os anos de prestação de serviço militar e de estudos universitários, como era até então. Os cortes também vão incidir no repasse às Prefeituras.
   
As medidas foram recomendadas pelos países da União Europeia (UE) e pelo Banco Central Europeu (BCE), que condicionou a compra de títulos da dívida italiana ao cumprimento das normas de austeridade.
   
“O país está numa situação muito difícil e por isso propomos uma contra-proposta que tem exatamente os mesmo saldos, porque acreditamos que é preciso intervir rapidamente”, afirmou Susanna Camusso, secretária da CGIL. (ANSA)