Elias Maluco e Fernandinho Beira-Mar não podem receber seus advogados

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 2 de outubro de 2002 as 00:16, por: cdb

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Roberto Aguiar, disse nesta terça-feira que os advogados dos traficantes presos no Batalhão de Choque, no centro do Rio de Janeiro, não poderão ter acesso a seus clientes, entre eles Fernandinho Beira-Mar e Elias Maluco, enquanto perdurar o clima de insegurança na capital do estado.

De acordo com Aguiar, a medida é necessária para que não haja qualquer tipo de comunicação dos traficantes.

O secretário de Segurança revelou também que todo o serviço de inteligência das Polícias Civil e Militar está nas ruas investigando as origens dos boatos que causaram o fechamento em massa do comércio e das escolas, na segunda-feira.

Aguiar informou que foi criada uma linha telefônica exclusiva para possibilitar uma comunicação imediata entre a Polícia e o comércio, caso surja alguma ameaça de fechamento dos estabelecimentos comerciais.

Pelo menos 19 pessoas foram presas, incluindo 11 menores, por espalharem os boatos de fechamento de escolas e lojas comerciais.

A decisão de Aguiar, que resultou no corte das comunicações entre os presos no Batalhão de Choque e seus advogados, foi questionada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo o presidente da entidade no Rio de Janeiro, Octavio Gomes, “não se pode combater uma ilegalidade com outra ilegalidade”.

“A decisão de Roberto Aguiar é um ato arbitrário, pois viola um direito constitucional e o estatuto da advocacia”, disse Gomes, que deverá contestar judicialmente a medida.