Eletropaulo é vendida à Chávez

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Publicado sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007 as 21:21, por: cdb

O governo da Venezuela e o grupo norte-americano AES, maior acionista da Electricidad de Caracas, fecharam a venda de 82% das ações companhia elétrica, por US$ 900 milhões, para o Estado venezuelano. O acordo faz parte do plano de nacionalização anunciado em janeiro por Chávez, que inclui todo o setor elétrico nacional e também a principal telefônica do país, a CANTV.

A AES receberá pelo negócio menos do que pagou por ele em 2000, quando comprou a empresa de distribuição por US$ 1,6 bilhão, em um leilão público.

O grupo AES, que desde 2001 controla a Eletropaulo, empresa de energia elétrica do estado de São Paulo, passou por várias dificuldades financeiras nos últimos anos e chegou perto da falência em 2002. Após o escândalo da Enron, quando as ações de distribuidoras de energia elétrica sofreram um grande baque, a cota da empresa desvalorizou de US$ 70 para cerca de US$ 1, no mercado norte-americano.

Os últimos anos foram de lenta recuperação financeira, o que inclui a valorização de suas ações nos Estados Unidos e a renegociação da dívida de R$ 4,8 bilhões (valor do terceiro trimestre de 2006) da AES Eletropaulo, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que em 2003 se tornou sócio da companhia. Em 2005, a AES Eletropaulo faturou R$ 8 bilhões, mas teve prejuízo de R$ 184 milhões.

Nos primeiros cinco anos de Brasil, a AES teve lucro em três e prejuízo em dois, com os resultados negativos superando os positivos em R$ 396 milhões. No entanto, de janeiro a setembro do ano passado, a AES Eletropaulo teve lucro de R$ 274,4 milhões no país.

O acordo da venda da Electricidad de Caracas foi assinado pelo ministro da energia, Rafael Ramírez, e pelo presidente-executivo de AES, Paul Hanraham, em inesperado ato oficial no palácio presidencial. Ramírez, também presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), disse que a transferência da empresa ao Estado deverá ser concretizada antes de 30 de abril.

O ministro garantiu também os direitos dos trabalhadores da empresa. O presidente-executivo da AES disse estar satisfeito com os acordos fechados até agora com o Estado. Hanraham disse que o acordo dará tranqüilidade para os mercados.