Eleições na Suécia confirmam avanço de populistas de direita na Europa

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 22 de dezembro de 2010 as 11:35, por: cdb

A coalizão de centro-direita do governo da Suécia recebeu o maior número de votos nas eleições parlamentares do último fim de semana. No entanto, isso não bastará para o grupo liderado pelo premiê conservador Fredrik Reinfeldt manter a maioria absoluta no Parlamento sueco. A coligação de conservadores, liberais e democrata-cristãos ocupará 172 postos, enquanto aos social-democratas, verdes e esquerdistas caberão 157 assentos, de um total de 349.

Democratas da Suécia

Um dos fatores para essa mudança nas forças políticas do país foi o desempenho do partido Democratas da Suécia (Sverigedemokraterna), populista de direita. Com 5,7% dos votos, pela primeira vez ele estará representado no Parlamento em Estocolmo, com 20 cadeiras. Na Suécia, o mínimo para tal é de 4% dos votos.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Jimmie Akesson, líder do Sverigedemokraterna

Liderados por Jimmie Akesson, os democratas-suecos se declaram “nacionalistas”. Em sua campanha eleitoral exigiram drásticas reduções nos índices de imigração e classificaram o Islã como a maior ameaça estrangeira desde a Segunda Guerra Mundial.

Logo após a divulgação dos resultados do pleito parlamentar, o primeiro-ministro excluíra o Democratas da Suécia como quinto membro em sua coalizão de governo. A esperança de Reinfeldt é associar-se aos verdes.

A chefe do Partido Social Democrata, Mona Sahlin, declarou: “Esta é uma eleição sem vencedores, e digo isso de coração pesado. Agora cabe a Fredrik Reinfeldt mostrar como pretende governar a Suécia sem que os ‘democratas’ ganhem influência política”. Tradicionalmente maior força política do país, os social-democratas obtiveram os piores resultados em sua história, com apenas 30,8% dos votos.

Tendências na Dinamarca, Holanda, França e Suíça

O avanço da extrema direita na Suécia reforça uma tendência na Europa. O Partido Popular da Dinamarca (DVP) é considerado o modelo para o Sverigedemokraterna. Sua ascensão nos últimos dez anos foi meteórica, e sua líder, Pia Kjaesgaard é considerada a “governante secreta” em Copenhague. Apesar de ela mesma adotar um discurso moderado, é à sua habilidade política que se atribui o rigor da atual política dinamarquesa para imigrantes e estrangeiros.

Na Holanda, o Partido pela Liberdade (PVV) afirmou-se em junho último como terceira maior força no Parlamento. Fundado em 2006, ele é liderado pelo anti-islamita Geert Wilders. Suas posições na política social são, em parte, de esquerda, pelo menos no que concerne o que define como “verdadeiros holandeses”. Dessa forma, ele é contra a elevação da idade de aposentadoria para 67 anos.

Jean-Marie Le Pen encabeça desde 1972 a Frente Nacional da França na luta contra o establishment e o “excesso de estrangeiros”. Sua maior vitória foi chegar à rodada final nas eleições presidenciais de 2002, perdendo, contudo, para Jacques Chirac. Em maio último o partido alcançou 9% dos votos nas eleições regionais. Atualmente com 82 anos de idade, Le Pen prepara-se para transferir a liderança à filha Marine Le Pen.

O nacional-conservador Partido Popular (SVP) domina o Conselho Nacional da Suíça. Com cartazes xenófobos, em que ovelhas brancas expulsavam ovelhas negras, ele suscitou críticas durante a campanha eleitoral de 2007. A União Helvética-Democrática (EDU), ainda mais de direita, detém um assento no Parlamento em Berna.

Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Cartaz do FPÖ nas eleições de 2010 na ÁustriaÁustria, Hungria, Itália e Bélgica

Apelando para o populismo e a xenofobia declarada, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) aposta, sobretudo, naqueles que votam em protesto. Em 2008 ele se tornou a facção mais forte do país, com o apoio de 17,5% dos eleitores. Juntamente com a liga BZÖ – formada por dissidentes do FPÖ – os radicais de direita tiveram um total 28% dos votos naquelas eleições. O líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, diz representar os interesses das pessoas de pequena renda.

Com maioria de dois terços, a Liga dos Jovens Democratas (FIDESZ) governa a Hungria desde as eleições de abril de 2010. O chefe de partido e premiê Viktor Orban dita para o país um curso cada vez mais de direita. Ele promete que um “sistema de cooperação nacional” virá substituir a supostamente caótica democracia que sucedeu à queda do regime comunista. Já o Jobbik (Os Melhores) tende mais para a extrema direita e é abertamente antissemita: com 17% dos votos, passou a ter representação no Parlamento húngaro em abril último.

O mais importante grupo populista de direita da Itália é a Lega Nord, de Umberto Bossi. Ela participa com quatro ministros do governo de Silvio Berlusconi, o qual deve seu cargo, em parte, à vitória eleitoral da Lega em 2008. O partido é declaradamente xenófobo e se bate pela independência do norte do país em relação a Roma e ao sul italiano, mais pobre.

A Nova Aliança Flamenga (N-VA) de Bart de Wever tornou-se o grupo político mais forte da Bélgica, alcançando 17,4% no pleito de junho de 2010. O partido pleiteia a independência da região de Flandres e tem tendências conservadoras, mas não é xenófobo.

AV/dpa/ap
Revisão: Carlos Albuquerque