Egípcios libertam islamita preso por 22 anos

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Publicado segunda-feira, 29 de setembro de 2003 as 01:09, por: cdb

As autoridades egípcias libertaram neste domingo Karam Zuhdy, que permaneceu preso por quase 22 anos, devido ao seu envolvimento no assassinato do presidente Anuar El Sadat em outubro de 1981, informaram fontes oficiais.
 
Zuhdy, de 51 anos, era militante da organização radical fundamentalista Yama Islamiya (Assembléia Islâmica), que também foi responsabilizada pelo Governo egípcio pela morte de 58 turistas estrangeiros em um atentado cometido em 1997.

De acordo com a agência oficial de notícias Mena, o ministro do Interior, Habib El Adli, ordenou a libertação de Zuhdy, que tinha sido condenado à prisão perpétua, porque ‘já tinha cumprido a condenação’ e ‘sofre de problemas cardíacos’.

Zuhdy foi julgado e condenado junto com outros líderes da Yama Islamiya, a maior organização islâmica egípcia, protagonista de uma sangrenta campanha para derrocar o Governo na década de 90 e que deixou mais de mil mortos antes de entrar em vigor seu cessar-fogo unilateral em 1999.

O atentado, que custou a vida de Sadat, em 6 de outubro de 1981 no Cairo, foi cometido por um grupo de homens armados que começaram a disparar contra a tribuna ocupada pelo chefe do Estado egípcio, durante um desfile militar no centro da capital egípcia.

A assinatura do tratado de paz por parte de Anuar Sadat com Israel, em 1978, em Camp David, deflagrou a ira dos radicais islâmicos. A Yama Islamiya não apenas condenou esse acordo, como iniciou uma cruzada paralela para instaurar no Egito um regime islâmico.

A organização Jihad Islâmica também esteve envolvida no assassinato de Sadat, o líder árabe que gozou de maior popularidade no mundo ocidental após assinar o acordo de paz com Israel e pelo qual o Egito recuperou a península do Sinai, ocupada pelo exército israelense durante a guerra dos seis dias, em 1967.