Edemar admite abrir mão do controle do Banco Santos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 13 de janeiro de 2005 as 19:41, por: cdb

O banqueiro Edemar Cid Ferreira afirmou hoje (13), por meio de seu advogado e da consultoria Valora, que abre mão do controle da instituição. “Edemar já disse: o banco hoje é dos credores”, afirmou o consultor Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor de liquidações do Banco Central e sócio da Valora, empresa contratada pela Procid, controladora do banco, para formular um plano de recuperação do Banco Santos negociado com os credores. O advogado de Edemar, Ricardo Tepedino, do escritório Sérgio Bermudes, confimou hoje que ele está disposto a abrir mão do controle do banco.

A afirmação de Edemar foi feita em resposta à declaração do interventor nomeado pelo BC, Vânio Aguiar, de que o banqueiro terá de renunciar ao controle da instituição para que se possa chegar a uma solução de mercado. “Na hora em que o banco for recuperado, o controlador tem de abrir mão da função de controlador, com perda de capital”, disse Aguiar em entrevista à publicada hoje na Gazeta Mercantil. Procurado pela Agência Estado, o interventor não quis dar entrevista para esta reportagem.

Aguiar anunciou ainda que prorrogou por mais 60 dias o prazo para apresentar ao BC uma avaliação da situação financeira do banco. Segundo a lei de liquidações (6.024), o relatório de Aguiar conterá: exame da situação econômico-financeira da instituição; indicação, devidamente comprovada, dos atos e omissões danosos que eventualmente tenha verificado e proposta de adoção de providências que lhe pareçam convenientes à instituição.

Freitas disse estar otimista quanto à adesão dos credores à primeira fase do plano de reestruturação, que prevê o comprometimento por escrito a uma moratória de seis meses em que não efetuariam saques no Banco Santos. “Todos com quem tenho conversado declararam a adesão à primeira fase”, disse o ex-diretor do BC, que no entanto ainda não tem um balanço de quantos credores já confirmaram a adesão por escrito. Credores consultados pela Agência Estado disseram que ainda não decidiram se vão aderir ou não à proposta. A Valora quer fechar a adesão à primeira fase no fim de fevereiro para evitar que Aguiar recomende a liquidação do banco já no relatório de março. A lei permite, no entanto, que ele prorrogue a intervenção por um ano, até novembro.