Economista prevê queda da inflação medida pelo IGP-10

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Publicado quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007 as 16:33, por: cdb

O Índice Geral de Preços (IGP-10), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), variou 0,28% em fevereiro, mostrando desaceleração ante os 0,39% registrados em janeiro. A inflação no ano pelo IGP-10 registra taxa de 0,67%, com alta de 3,70% nos últimos 12 meses. O índice tem como base os preços coletados entre o dia 11 do mês anterior e o dia dez do mês de referência.
Na avaliação do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, economista Salomão Quadros, o resultado do IGP-10 de fevereiro permite que se fale em tendência declinante da inflação.

– O efeito de janeiro ficou isolado, foi um ponto na curva de alta, mas não é para se sustentar. E fevereiro já começou com índices bem menores. O IGP-10 foi o primeiro e eu acho que isso vai se consolidar durante o mês e pode ser até que se aprofunde em março -, afirmou.

A expectativa do IPC de março mais baixo pode se concretizar por causa do efeito das mensalidades escolares que tende a desaparecer por completo, além da aproximação da safra de soja, milho, arroz, e grãos em geral, que costuma contribuir para baixar a inflação.

– Eu acredito que a tendência é de baixa. A tendência é de desaceleração daqui para lá (março) -, disse.

De acordo com Salomão Quadros, a maior contribuição para o resultado de fevereiro foi dada pelos preços no varejo. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve variação de 0,54% em fevereiro contra 0,75% de janeiro, um decréscimo em cinco dos sete grupos pesquisados.

Dentro do IPC, segundo o economista, os principais fatores para a desaceleração vieram dos grupos Transportes e Vestuário, cujas taxas caíram de 2,43% para 0,79% e de 0,69% para menos 2,39%, respectivamente, pressionados pelas tarifas de ônibus urbano – que passou de 5,63% para 1,57% – e roupas, por conta das promoções de verão, que caiu de 0,57% para menos 3,09%.

No atacado, o economista explicou que a redução de preços de 1,48% para menos 1,15% em produtos alimentares industrializados é uma conseqüência da queda de matérias-primas agrícolas, cujos preços “tiveram um comportamento muito mais favorável neste início do ano e isso chegou aos produtos industrializados que usam essas matérias-primas”.

No caso dos combustíveis, cuja taxa recuou de 0,33% para menos 0,57%, Salomão Quadros explicou que está ocorrendo um efeito favorável da queda de preços do petróleo.

– Nesse momento já está pegando vários derivados importantes, como óleo combustível, querosene e mesmo a gasolina, com queda de preços. O álcool não está subindo muito, mesmo no meio da entressafra. Então, os combustíveis deram uma recuada bastante importante -, analisou.