Durão Barroso é censurado por posição pró-EUA

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 16:22, por: cdb

O primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, enfrentará uma moção de censura no Parlamento devido à sua intransigente posição pró-americana expressada na cúpula em Açores sobre o Iraque, anunciou nesta segunda-feira o principal partido de oposição.

O Partido Socialista afirmou ser “ilegítimo vincular Portugal a uma guerra que desrespeita a lei internacional”.

A coalizão de centro direita de Durão Barroso tem uma pequena maioria no Parlamento e provavelmente sobreviverá à moção de censura, mas o desafio da oposição é mais um sinal do profundo descontentamento em Portugal com a decisão do governo de se alinhar com os Estados Unidos na crise iraquiana.

“O primeiro-ministro não deveria colaborar com uma escalada contra a vontade da comunidade internacional”, afirmou o líder socialista Eduardo Ferro Rodrigues. “O governo está envolvendo o país numa guerra com a qual os portugueses não concordam”.

Ferro Rodrigues disse que seu partido também irá pedir ao parlamento para rever o uso por parte dos EUA da base áerea de Lajes, em Açores, onde a cúpula foi realizada no último domingo (16) e que tem servido como posto de abastecimento de aviões americanos rumando para o Golfo Pérsico.

Apesar da pequena possibilidade de o governo ser derrubado, cresce a preocupação no país de 10 milhões de habitantse com a posição pró-EUA do governo que colocou Portugal em confronto com poderosas nações da União Européia, como a França e Alemanha.

O jornal Público tem advertido que o antagonismo com Paris e Berlim pode colocar em risco bilhões de euros em ajuda do bloco europeu que têm sido vitais para estruturar a economia de Portugal desde que o país uniu-se à UE em 1986.

O diário de Lisboa avisou que a mensagem da UE a Portugal pode ser “na próxima vez que quiser dinheiro, vá pedir a Bush”.

Cerca de 300 pacifistas reuniram-se no lado de fora da residência do primeiro-ministro até a manhã desta segunda-feira aguardando a volta de Durão Barroso da cúpula de Açores.

Muitos carregaram cartazes com um desenho que se tornou familiar nas manifestações em todo o país – mostrando um Durão Barroso com um revólver na mão vestido como Tio Sam tendo ao fundo as estrelas e faixas da bandeira americana.

A opinião pública em Portugal é fortemente contrária à guerra. O sentimento pacifista é generalizado na Europa, onde milhões de pessoas manifestaram-se pela paz nas últimas semanas.

Apesar disso, Durão Barroso anunciou em Açores: “Se houver um conflito, quero dizer novamente que Portugal estará junto com seus aliados”.