Duhalde analisa crise na primeira reunião do gabinete

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 21:40, por: cdb

O novo presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, realizou nesta quinta-feira a primeira reunião com o seu gabinete de governo, durante a qual foi apresentado um relatório sobre a situação econômica do país. Nesta sexta-feira, Duhalde deve divulgar os detalhes de um pacote econômico. A expectativa é que o presidente determine o fim da paridade entre a moeda nacional, o peso, e o dólar.

Um dos membros do novo gabinete disse que a Argentina está à beira de um precipício – mas a crise, segundo ele, é uma oportunidade de renovação e de reconstruir o país. Nesta quinta-feira, a Argentina colocou em prática a suspensão do pagamento de sua dívida externa. O calote foi anunciado oficialmente no final de dezembro.

O governo deixou de pagar US$ 28 milhões em títulos da dívida, que já totaliza US$ 141 bilhões. Esses títulos venciam nesta quinta-feira. O mercado de ações de Buenos Aires abriu em alta devido à expectativa de que o governo anuncie a desvalorização do peso, que acredita-se que seja de 30% ou 40%. “Nós temos que entender o que estamos enfrentando”, disse um porta-voz do governo argentino, “antes que divulgemos os detalhes do que nós precisamos fazer.”

O presidente Duhalde deixou claro que o país não tem dinheiro para honrar seus compromissos e vai procurar renegociar sua dívida junto aos credores internacionais. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta quinta-feira que o país vai buscar manter uma relação estreita com o novo governo da Argentina.

Em uma carta enviada a Buenos Aires, Bush disse que ele e seus assessores vão continuar acompanhando de perto os acontecimentos no país. Em Washington, um porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que a organização está pronta para trabalhar com a equipe de governo do novo presidente argentino, Eduardo Duhalde.

Um porta-voz do FMI, Bill Murray, disse que a organização ainda não tem um parecer sobre as informações de que a Argentina deve tentar negociar um novo crédito de US$ 15 bilhões.