Doze pessoas são detidas no Quênia, incluindo um americano

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Publicado sexta-feira, 29 de novembro de 2002 as 23:52, por: cdb

Doze pessoas estão detidas no Quênia, uma delas portadora de passaporte norte-americano, para interrogatório em conexão com os ataques sincronizados na cidade de Mombasa contra um hotel de propriedade israelense, que deixou pelo menos 16 mortos, e o lançamento de mísseis contra um avião de passageiros da El Al, empresa de Israel.

“Temos uma norte-americana, um espanhol … seis paquistaneses e quatro somalianos”, disse um policial local.

Os paquistaneses e os somalianos foram presos por terem ingressado ilegalmente no país. A mulher norte-americana e seu marido foram detidos quando fechavam as contas no hotel Le Soleil Beach Club, cerca de 90 minutos depois dos ataques.

Treze pessoas, das quais três israelenses, e os três atacantes suicidas morreram com a explosão de um carro-bomba diante da entrada do hotel Paradise, em Mombassa. O avião da El Al não foi atingido.

Há suspeitas de que, entre os somalianos detidos, constem membros do grupo Al-Ittihad al-Islamiya (AIAI), também conhecido como União Islâmica, uma organização ativa na região e que tem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda, da Osama bin Laden.

Aviões militares israelenses retiraram no início da sexta-feira mais de 250 turistas de Mombassa, alguns deles sobreviventes do atentado, segundo o porta-voz da chancelaria israelense Gilad Millo.

Também foram trasladados os cadáveres dos três israelenses mortos no ataque.

Vínculo com a rede Al-Qaeda
Investigadores quenianos e israelenses começaram a analisar, nesta sexta-feira, a possibilidade de a rede terrorista Al Qaeda ter planejado os dois atentados quase simultâneos que deixaram dezenas de mortos e feridos na véspera.

A Al Qaeda também foi responsabilizada pelos atentados sincronizados que visaram, em 1998, as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia.

A seqüência de atentados na costa do Quênia começou com o disparo de dois mísseis contra um avião da companhia comercial israelense Arkia, que acabara de decolar em direção a Tel Aviv com 271 pessoas a bordo.

Os mísseis não atingiram o avião por pouco. Ninguém ficou ferido.

Menos de uma hora depois, três homens-bomba, com a ajuda de um carro repleto de explosivos, arrasaram a entrada do Hotel Paradise, em Mombasa. A maioria dos mortos era de um grupo de dança queniano que recepcionava os turistas israelenses.

O hotel, de propriedade de israelenses, era um conhecido destino de turistas procedentes do Estado judeu.

Um dos três suicidas foi identificado pela Rádio do Exército de Israel como Abdullah Ahmed Abdullah, nome que aparece na lista do FBI – a polícia federal norte-americana – como um dos terroristas da Al Qaeda mais procurados. Sua captura vale uma recompensa de 25 milhões de dólares.

Abdullah, um egípcio também conhecido como “Saleh”, é apontado por autoridades norte-americanas como o líder das células da Al Qaeda no leste da África.

O nome de um dos outros homens-bomba – o queniano Faed Ali Sayam – também se parece com um que consta na lista de foragidos do grupo liderado por Osama bin Laden: Fahid Mohammed Ally Msalam, que tem vários apelidos, como Fahid Ali Salem.

Ambos os terroristas foram julgados à revelia pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas na África, nos quais 224 pessoas morreram.

O FBI ainda não se pronunciou a respeito das identidades dos suspeitos.

Um grupo até então desconhecido, que se intitulou “O Exército da Palestina”, enviou um fax ao escritório da agência Reuters em Beirute, reivindicando a autoria dos atentados.

Um outro fax foi recebido pela Al-Manar, a emissora de televisão do grupo radical islâmico Hezbollah. Os editores, porém, disseram que a mensagem não era confiável.

No fax, o grupo alegava que os ataques terroristas tinham o objetivo de marcar a decisão das Nações Unidas, ocorrida em 29 de novembro de 1947, que resultou na divisão da Palestina e na criação do Estado de Israel.

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Em Israel,