Doping de Kuznetsova abala rodada na Austrália

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Publicado terça-feira, 18 de janeiro de 2005 as 11:18, por: cdb

Autoridades do tênis lançaram nesta terça-feira uma rede de proteção sobre a campeã do Abertos dos Estados Unidos, Svetlana Kuznetsova, e criticaram um ministro do governo belga que afirmou que ela teve um exame antidoping positivo.

O escândalo ofuscou a ação nas quadras do Aberto da Austrália, onde Andy Roddick liderou as vitórias dos cabeças-de-chave na segunda rodada do masculino e Anastasia Myskina e Elena Dementieva escaparam do primeiro obstáculo no feminino.

Kuznetsova foi acusada pelo ministro do Esporte, Claude Eerdekens, de ter testado positivo para um estimulante durante um torneio de caridade em Charleroi em dezembro. Eerdekens disse que a número cinco do mundo teve um exame positivo para efedrina, estimulante encontrado em remédios contra tosse.

Mas a russa não rompeu regras de doping e continuará no Aberto da Austrália, disse o chefe da WTA Tour, Larry Scott.

– Acho que o que ele (Eerdekens) fez foi uma desgraça. Sei que nossos jogadores gostariam de ver uma desculpa imediata pelo dano que já foi feito ao nosso esporte. É vergonhoso o que uma pessoa irresponsável como essa pode fazer à reputação de um esporte limpo – disse Scott

 Kuznetsova disse nesta terça-feira que é inocente e que tomou remédio contra gripe.

– Tenho orgulho de ser uma atleta limpa, da maior integridade, e estou ofendida por estas acusações escandalosas.Tenho certeza da minha inocência e não vou permitir que estas acusações irresponsáveis, que não estão de acordo com procedimentos antidoping confiáveis, atrapalhem o meu desempenho no Aberto da Austrália – disse a tenista em comunicado.

Torneios de exibição como o de Charleroi são considerados amistosos e os jogadores podem pedir exceções nas regras se estiverem tomando remédios que possam conter efedrina, disse Scott.

– Quero deixar claro que, segundo o programa antidoping do tênis, efedrina não é uma substância proibida quando não há competição – disse Scott. 

A parceira de duplas de Kuznetsova, a australiana Alicia Molik, demonstrou a irritação dos tenistas.

– Comprei todos os jornais da loja de conveniência e joguei fora. É assim, tão raivosa, que me senti com o tema –  disse Molik.

Kuznetsova teve um bom início no Aberto na segunda-feira, vencendo a norte-americana Jessica Kirkland por 6-1 e 6-1. Na terça-feira, sua companheira de equipe da Fed Cup Myskina — campeã do Aberto da França — não teve problema para vencer a tcheca Kveta Peschke por 6-1 e 6-4.

Dementieva venceu por 6-3 e 6-3 a ucraniana Alyona Bondarenko. Dechy, 19a. cabeça-de-chave, passou pela suíça Emmanuelle Gagliardi com 6-4 e 6-3. Molik, 10a. cabeça de chave, manteve as esperanças locais ao ganhar de Anabel Medina Garrigues por 6-1 e 6-3, depois que a espanhola salvou cinco match points e só se rendeu com uma dupla falta.

Roddick foi o principal cabeça-de-chave em Melbourne no ano passado, mas perdeu o lugar de número um para Roger Federer após ter sido derrotado nas quartas-de-final pelo gigante russo Marat Safin.

O norte-americano começou devagar, mas retomou a atenção e disparou 11 aces sobre Georgian Irakli Labadze na vitória por 7-5, 6-2 e 6-1 na primeira rodada nesta terça-feira.

– Obviamente não foi um bom tênis no primeiro set. Mas nos últimos sets senti que estava batendo na bola um pouco melhor – disse Roddick.

Os cabeças-de-chave argentinos Guillermo Coria e Guillermo Canas também avançaram. Coria, sexto, despachou o adolescente tcheco Tomas Berdych por 6-2, 6-4 e 6-0.