Dólar abre em alta de 0,52% e deve repercutir corte de juros

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 23 de outubro de 2003 as 10:05, por: cdb

O dólar comercial abriu em alta nesta quinta-feira. Às 9h27, a moeda norte-americana subia 0,52% em relação ao fechamento desta quarta-feira, cotada a R$ 2,877 para compra e R$ 2,88 para venda. O mercado de renda fixa deve iniciar o dia ajustando projeções em razão de algumas mudanças de apostas de última hora que aconteceram. O Comitê de Política Monetária (Copom) foi mais conservador do que uma parte do mercado esperava e reduziu a Selic em um ponto percentual, levando o juro básico da economia para 19% ao ano.

No final dos negócios de ontem, o contrato de juro de novembro – que projeta a expectativa da taxa para o último dia de outubro – admitia um corte de 1,5 ponto. O movimento foi patrocinado pelo desempenho de indicadores como as primeiras prévias de inflação de outubro e emprego. O Copom, no entanto, optou por ser coerente com a ata da reunião de setembro e com o relatório de inflação.

Esses documentos, divulgados no mês passado, sinalizaram que a flexibilização da política monetária seria mais lenta a partir de outubro. Os especialistas interpretaram a decisão do BC como o retorno do gradualismo, que caracterizou boa parte da gestão anterior da autoridade monetária.

Daqui para frente os espaços para redução de juros ficam cada vez mais restritos, sob a pena de se criar pressões inflacionárias que desviem os preços das metas. Com menos espaço para cortar juros, o BC pode se valer de outros instrumentos de política monetária para dar impulso à economia.

Entre eles, a redução da alíquota do compulsório sobre depósitos à vista, atualmente em 45%. O momento seria propício, uma vez que a demanda por dólares nos mercados à vista e futuro se mostra contida. No passado recente, temia-se que a redução da alíquota do compulsório promovesse a corrida dos investidores para a compra de dólares.

Agora, com o fluxo comercial e de investimentos positivo para o Brasil, os recursos liberados do compulsório podem ter outro destino. O governo, no entanto, insiste em condicionar essa redução a maior disponibilidade de crédito. Os bancos por sua vez ainda podem preferir os títulos públicos.

Ontem, o dólar comercial voltou a subir no fechamento, na expectativa sobre a decisão do Copom, que só foi anunciada após o fechamento dos mercados. A moeda subiu 0,28% na comparação com fechamento de terça, cotada a R$ 2,863 para compra e a R$ 2,865 para venda.