Dmet prevê muita chuva no verão amazônico

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 31 de maio de 2006 as 15:34, por: cdb

Embora os meses de junho, julho e agosto marquem o início do chamado verão amazônico, o período deverá ser de muita chuva nos estados de Roraima e Amapá e no norte do Amazonas, do Pará e do Maranhão. A previsão é da Divisão de Meteorologia (Dmet) do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que divulgou, nesta quarta-feira, em Manaus, o boletim climático da região. É a fase da vazante dos rios.

– Em junho, as chuvas já costumam cair drasticamente em relação a maio – e isso vai ocorrer, mas elas continuarão acima do historicamente esperado para o período -disse a chefe regional do Dmet-Sipam, Jaci Saraiva.

Dados divulgados segunda-feira (29) pelo Serviço Geológico do Brasil (antiga Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais, ainda conhecido pela sigla de CPRM) revelaram que em maio choveu no Amazonas cerca de 437 milímetros, sendo que a precipitação média do mês é de 256 milímetros.

– O que explica o aumento das chuvas no norte do país e a diminuição no sul é o fenômeno El Niño-La Niña, que já é bem conhecido por nós – disse Jaci.

A principal característica do fenômeno é o aquecimento (El Niño) ou resfriamento (La Niña) das águas do Oceano Pacífico, próximo à costa do Peru.

– Funciona como uma gangorra: às vezes, as águas aquecem demais; outras vezes, esquentam. É um fenômeno que se repete em média a cada três anos e que dura cerca de um ano e meio – afirmou.

– Essa temperatura anormal das águas do Pacífico provoca uma mudança na circulação dos ventos na atmosfera – o que interfere na formação das nuvens – acrescentou a meteorologista. Segundo ela, a grande seca que o Amazonas enfrentou no ano passado não teve relação com <i>El Niño-La Niña</i>, mas sim com o aquecimento das águas do Pacífico.

Coordenado por meteorologistas do Sipam, o boletim climático da Amazônia é elaborado com a colaboração de técnicos da Defesa Civil Municipal de Manaus, da Defesa Civil do Amazonas (e eventualmente de Roraima e do Acre), da CPRM, da Agência Nacional de Águas (Ana), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade Federal do Amazonas.