‘Distritão’ favorece os mais ricos e as ‘vedetes’ do momento, diz Simon 

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Publicado segunda-feira, 21 de março de 2011 as 09:05, por: cdb

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O senador Pedro Simon (PMDB-RS) se diz temeroso de que o voto majoritário para deputados federais e estaduais, tendo o estado como circunscrição eleitoral – conhecido como “distritão” -, favoreça os candidatos que têm mais dinheiro e as celebridades do momento.

– Vai ganhar a eleição o candidato mais endinheirado, o jogador que está na moda, um delegado que teve uma atuação excepcional. Serão eleitos aqueles que são as ‘vedetes’ do momento e os que têm mais dinheiro. Será uma irracionalidade – disse.

Simon se diz “radicalmente contra” esse sistema eleitoral por considerar que, se adotado, o “distritão” transformará a eleição “numa guerra”.

O senador também considera que o sistema tornará as eleições muito mais caras, pois, para obter o maior número de votos, o candidato terá de fazer campanha em todo o estado, ir a todos os municípios, como numa eleição para governador.

Como vantagem do “distritão”, ele aponta sua fácil implementação, não sendo necessária a divisão do território, como requer o sistema distrital, ou a definição da lista de candidatos do partido, como no proporcional com lista fechada. Mas acrescenta que o sistema deixará as eleições sob controle do poder econômico.

Para Simon, o voto em lista seria positivo se os partidos não fossem “uma anarquia”.

– Se tivéssemos partidos responsáveis, aí a lista seria importante. Os filiados no partido decidiriam pelos seus quadros mais importantes – disse. Ele considera que esse sistema só seria viável se fosse adotado conjuntamente com “uma reforma partidária pra valer”. Não sendo assim, ele considera “um risco” o voto em lista.

Simon vê com interesse o voto distrital misto, como é praticado na Alemanha. No entanto, concorda com os que dizem que será um problema a divisão em distritos, devido aos diferentes interesses dos partidos. Como lado positivo, ele aponta a possibilidade de representação de todas as regiões do estado, sem o favorecimento das regiões mais dinâmicas, como ocorre atualmente.

Para o senador, a discussão para mudar o sistema eleitoral brasileiro é muito relevante e deveria prevalecer o modelo que for melhor para o país. No entanto, ele teme que a reforma política aprovada pelo Senado seja “engavetada” na Câmara.

– Se for um item simples, como a mudança da data da posse, a Câmara pode votar. Mas se for alguma coisa complicada, que eles [os deputados] vão emendar e que depois precisa voltar para o Senado dar a palavra final, eles não votam – disse, ao lembrar que o senado já aprovou o financiamento público de campanha, mas a proposta não prosperou na Câmara.

Iara Guimarães Altafin / Agência Senado