Dissidências levam Amorim a chamar G-23 de G-X

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Publicado sábado, 11 de outubro de 2003 as 08:22, por: cdb

As críticas dos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Rafael Bielsa, contra os países desenvolvidos – especialmente Estados Unidos – marcaram a esvaziada reunião daquele que nasceu como G-23. Mas agora foi chamado pelo próprio Amorim de G-X.

– Se algum país entende que pode encurralar o Mercosul, que tente. Não queremos encurralar ninguém e nem ser encurralados ou isolados – disse Amorim. – Qual o sentido da Alca sem o Mercosul? – desafiou o ministro brasileiro.

Quando perguntado se a criação do Consenso de Buenos Aires, que será assinado na semana que vem na capital argentina pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, terá como objetivo enfrentar o Consenso de Washington, Celso Amorim respondeu: “O Consenso de Washington está tão ultrapassado que não pecisa de nada para se contrapôr a ele”.

De acordo com Bielsa, o Consenso de Buenos Aires unirá apenas metas e programas para o Brasil e a Argentina, excluindo até os outros dois integrantes do Mercosul – o Paraguai e o Uruguai.

OMC

Mas a reunião de sexta-feira em Buenos Aires envolvia os países que querem o fim dos subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos e a manutenção da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O grupo dos 23 países nasceu em Cancún, no México, na rodada da OMC no mês passado, mas no encontro de Buenos Aires contou com apenas 15 participantes dos quais três eram convidados.

Ou seja, constaram da lista de presentes distribuída à imprensa, mas não apareceram entre os assinantes do documento final. Entre os convidados, o Uruguai.

Após um dia inteiro de reuniões, esta declaração final registrou doze assinaturas – entre elas as de Brasil, Argentina, Chile, China, Cuba, Índia e Egito.

– É realmente um G (grupo) flutuante. Vamos esperar a reunião de Genebra para saber quantos somos – admitiu Bielsa.

Na declaração divulgada, afirma-se que o objetivo do encontro foi analisar as perspectivas da V Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, no dia 15 de dezembro, em Genebra, na Suíça.

Críticas aos EUA

Quando perguntado sobre as pressões do governo americano, que teriam levado países como Colômbia e Costa Rica a desistirem do bloco, o chanceler argentino respondeu que “não é bom transferir metáforas bélicas às nossas negociaçoes”.

Para Rafael Bielsa, será o “pior dos mundos” se o G-X, além de lutar contra os subsídios agrícolas, ainda receber retaliações dos países desenvolvidos.

As principais críticas aos países ricos partiram de Celso Amorim.

– Se quiséssemos atazanar os Estados Unidos, colocaríamos a questão do antidumping na pauta de discussões. Mas não vamos fazer isso – disse Amorim.

O ministro disse que o grupo está tentando ser “criativo”, respeitando o acordo de tarifa zero e dentro dos prazos fixados para a formação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
“Queremos uma Alca ambiciosa”, reconheceu. O assunto foi tratado por Celso Amorim, na quinta-feira, em um encontro com empresários brasileiros.

Quando perguntado se o G-23 tinha encolhido por pressionar o governo americano, Amorim deu meio sorriso e pediu para os jornalistas fazerem as suas deduções.

Logo no início da entrevista, à saída do Palácio San Martin, onde o encontro foi realizado, o chanceler brasileiro reconheceu: “É, nosso grupo começou como G-23 passou para G-22 e está em baixa. Mas eu compraria na baixa”.

Apelos de união e consenso também foram feitos por Rafael Bielsa àqueles países que desistiram de comparecer à reunião.

Segundo ele, em comum todos têm as dificuldades que impedem melhor comercialização dos seus produtos agrícolas. “Fazemos um apelo a todos os integrantes (do antigo G-23) para retomar as tarefas em Genebra com espírito construtivo”, diz o texto do documento.

O combate aos subsídios agríco