Discurso de Bush é bem recebido no Fórum Econômico Mundial

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Publicado quarta-feira, 24 de janeiro de 2007 as 12:34, por: cdb

Reunidos em Davos, na Suíça, pouco antes do início do Fórum Econômico Mundial, líderes empresariais do mundo todo elogiaram, nesta quarta-feira, o discurso em que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconheceu as mudanças climáticas como “um sério desafio”. Mas eles pediram padrões de longo prazo para as emissões de carbono, o que ajudaria as empresas a se planejarem. Em seu discurso anual ao Congresso, na noite desta terça-feira, Bush não citou limites obrigatórios às emissões de carbono na atmosfera, a exemplo do que querem algumas grandes empresas, como a General Electric. O presidente preferiu defender novas tecnologias que permitirão reduzir o consumo norte-americano de gasolina, cuja queima é uma importante fonte dos poluentes que provocam o aquecimento da Terra.

Os líderes capitalistas reunidos em Davos, na Suíça, elogiaram Bush por sua defesa do etanol e de energias solar, eólica e nuclear, mas disseram que Washington precisa impor regras mais rígidas para as emissões de poluentes nos EUA.

– É um bom passo, mas precisamos de muitos outros – disse James Rogers, executivo-chefe da Duke Energy, durante a reunião do Fórum Econômico Mundial, que reúne 2.400 influentes participantes, neste ano voltados prioritariamente para o aquecimento global.

Rogers disse que as usinas elétricas construídas hoje serão usadas nos próximos 50 anos, de modo que é essencial ter noções dos futuros regulamentos para tomar decisões de investimentos agora.

– Não estamos sentados esperando. Uma tremenda quantidade de trabalho vai na preparação (de um novo regime regulador) – afirmou.

Alain Belda, executivo-chefe da Alcoa, concordou, dizendo ser inviável que a agenda climática norte-americana continue sendo definida individualmente pelos Estados, como faz a Califórnia.

– Acho que o país precisa de uma (só) regra – disse ele num painel sobre o tema em Davos, lembrando que esses regulamentos serão úteis para reduzir o risco de que as empresas invistam em tecnologias que depois não serão usadas.

Ele acrescentou que uma decisão dos EUA pode incentivar outros países menos ricos a também restringirem suas emissões de poluentes.

Boas falas

Yvo de Boer, chefe do Secretariado Climático da ONU, em visita ao Japão, também elogiou a preocupação ambiental de Bush, dizendo que “o clima sobre o clima está mudando nos EUA”.

Juergen Trittin, ex-ministro alemão do Meio Ambiente, disse a uma rádio que o discurso pode “melhorar a cooperação transatlântica na luta contra a mudança climática”.

Mas houve quem considerasse o discurso aquém do necessário.

– O presidente não apresentou um plano abrangente. É uma coleção de sugestões técnicas, mas não uma verdadeira mudança política – disse Sven Teske, especialista em energia renovável da ONG Greenpeace.

Diane Wittenberg, do Registro do Clima da Califórnia, que monitora as emissões de carbono no Estado, disse que o discurso foi frustrante. “Ele começou atrás da curva e nunca passou para a frente”, afirmou a ativista, lembrando que as principais iniciativas climáticas nos EUA partem de governos estaduais e empresas, que tentam moldar as políticas futuras a seu favor.

– As empresas vêem que o clima vai criar um novo conjunto de ganhadores e perdedores na comunidade empresarial, e querem estar no lado vencedor – disse ela.

Segundo pesquisa PricewaterhouseCoopers divulgada em Davos, 40% dos 1,1 mil executivos ouvidos em todo o mundo estão preocupados com o clima, mas nos EUA esse número não passa de 18%. Mark Spelman, diretor da consultoria européia Accenture, disse que essa preocupação ambiental é em parte um exercício de relações públicas para agradar consumidores mais conscientes, mas que também reflete estimativas de longo prazo sobre os custos de energia no futuro.

– Seu iluminado executivo-chefe pode ver à frente que o preço do carbono vai subir, e isso terá impacto de longo prazo