Discurso de bin Laden aumenta sua popularidade no mundo árabe

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Publicado terça-feira, 9 de outubro de 2001 as 16:03, por: cdb

O discurso de Osama bin Laden, televisionado internacionalmente no domingo pela tevê Al Jazeera, impressionou muitos muçulmanos com sua imagem histórica e religiosa, uma combinação poderosa que magnificou sua posição diante de pessoas que queriam vê-lo como um porta-voz heróico dos fracos contra os fortes.

O discurso gravado, transmitido através de um popular canal árabe via satélite, proporcionou ao refugiado saudita no Afeganistão uma maneira visível para expressar sua visão da história muçulmana e uma longa descrição de descontentamentos amplamente compartilhados no mundo árabe.

Bin Laden lembrou do que ele caracterizou como 80 anos de humilhações dos povos islâmicos. “O que os Estados Unidos estão experimentando agora é apenas uma cópia do que nós experimentamos”, ele disse.

Ele falou em espadas, cavalos e no campo do inimigo infiel. Seu discurso lembrou a fúria contida nas passagens do Corão onde Deus promete aos muçulmanos que eles triunfarão sobre os descrentes e hipócritas que apenas fingem aceitar o islã.

“A maneira como ele fala, seu tom de voz, seu vocabulário e sua lógica – é tudo tão carismático”, disse Doaa Mostafa, estudante de literatura árabe na Universidade Ain Shams do Cairo. “Ele é muito convincente. Foi a primeira vez que o vi na televisão e senti com toda a certeza que ele não é um terrorista. Eu senti seu objetivo de proteger o islã, nada mais”.

Mas enquanto bin Laden impressionou grande parte da audiência muçulmana com suas frases simples, sua defesa dos palestinos e seu desdém pelos Estados Unidos, ele também assustou a outros com sua visão de uma guerra apocalíptica entre muçulmanos e não-muçulmanos.

“Ele fez com que eu sentisse que ele está defendendo os direitos dos árabes, já que todos os líderes árabes estão em silêncio”, disse Mohammed Ahmed, outro estudante da Universidade Ain Shams. “Mas eu preferiria que ele parasse de usar a violência e negociasse, ao invés de matar. Nós concordamos com ele e com seu ponto de vista, mas não concordamos com seus métodos”.

Na transmissão, bin Laden e seu principal auxiliar, Awman al Zawahiri, falaram de batalhas – sangrentas, lutas pessoais por uma causa – como um rito de purificação que glorifica os homens e os países.

Mesmo assim, há poucas provas, até agora, de que alguém no Egito estivesse pronto para responder ao chamado de Bin Laden e iniciar uma batalha contra os descrentes e os americanos.

“Todos nós sentimos simpatia e admiração por Bin Laden”, disse Mostafa Rushdi Ali, um estudante de administração da Universidade Helwan do Cairo. “Mas o Egito deve se manter neutro porque se interferirmos, nossa economia irá piorar”.