Diretor-geral da OMS morre após cirurgia

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Publicado segunda-feira, 22 de maio de 2006 as 11:31, por: cdb

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sul-coreano Lee Jong Wook, faleceu nesta segunda-feira depois de ser submetido a uma cirurgia de emergência, em Genebra, por causa de um coágulo no cérebro, anunciou o ministério das Relações Exteriores da Coréia do Sul.

O falecimento, anunciado em Seul pelo ministério sul-coreano das Relações Exteriores, foi oficializado ante os mais de cem ministros da Saúde de todo o planeta presentes na inauguração da Assembléia Anual da OMS, que se reunirá até o sábado, em Genebra.

– Lamento informá-los que o doutor Lee Jong Wook faleceu esta manhã – anunciou a ministra espanhola da Saúde, Elena Salgado, ao abrir a sessão, que foi suspensa após um minuto de silêncio dos presentes em memória do sul-coreano.

O subdiretor-geral e responsável pela administração da OMS, o sueco Anders Nordstrom, foi nomeado diretor-geral interino, segundo as instruções dadas pelo próprio Lee no início de seu mandato.

– É uma grande perda para todos nós. Será muito difícil substituí-lo – assinalou o embaixador da Grã-Bretanha em Genebra, Nicholas Thorne, ao ficar sabendo da notícia do falecimento.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, enviou uma mensagem apresentando seus pêsames à família de Lee e aos funcionários da OMS.

Lee, de 61 anos, passou mal no sábado à tarde, durante uma reunião de trabalho, e foi levado com urgência para um hospital de Genebra, onde foi operado de um coágulo no cérebro.

Depois de atuar por mais de 20 anos em cargos importantes no departamento de luta contra as doenças infecciosas da OMS, o sul-coreano assumiu o comando da organização em 2003.

O mandato de Lee chegaria ao fim em julho de 2008.

Nascido em Seul, em 12 de abril de 1945, Lee entrou para a OMS em 1983 e foi diretor do Programa Mundial de Vacinas da organização (GPV) entre 1994 e 1998, cargo no qual executou uma importante campanha para a erradicação mundial da poliomielite.

Depois foi conselheiro principal, representante especial da diretora-geral da organização, Gro Harlem Brundtland, antes de ser nomeado, em dezembro de 2000, diretor do programa de erradicação da tuberculose.

Casado com uma japonesa e pai de um filho, Lee foi o sexto diretor-geral da OMS, o segundo asiático.

Lee Jong Wook era um especialista em enfermidades infecciosas e dedicou seus 23 anos à OMS, fazendo frente a novos e perigosos desafios para o planeta, como a gripe das aves.

Médico licenciado pela Universidade Nacional de Seul, Lee Jong Wook começou carreira nas Ilhas Samoa, em 1981, e depois nas Ilhas Fiji.

Entrou para a OMS em 1983 como conselheiro para participar posteriormente no programa de luta contra a peste no sul do Pacífico.

A partir de 1986 trabalhou no escritório regional da organização nas Filipinas, em um programa contra a lepra.

Responsável desde dezembro de 2000 pelo programa contra a tuberculose, contribuiu para estabelecer um dispositivo de fornecimento de medicamentos antiturbeculose, um modelo de como se poderia melhorar o acesso dos países pobres a medicamentos para lutar contra a Aids e malária.

Desde sua eleição pelos 192 países membros para a chefia da organização, Lee fixou como objetivo de sua direção reforçar a vigilância das epidemias, facilitar o acesso dos mais pobres a tratamentos e medicamentos – principalmente aos portadores de Aids na África – e converter a OMS em uma organização mais eficaz e transparente.

Além de enfrentar novos desafios como a gripe aviária, Lee teve de fazer frente ao ressurgimento de doenças que supostamente estavam erradicadas, como a poliomielite.

Durante seu mandato, Lee colocou em andamento uma iniciativa para fornecer, em 2005, medicamentos anti-retrovirais para três milhões de soropositivos nos países pobres, mas não conseguiu cumprir com seu objetivo, alcançando apenas 1,3 milhão de pessoas.

Os críticos asseguraram que esse objetivo foi pouco