Diretor do BC prevê queda consistente da inflação

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Publicado sábado, 14 de junho de 2003 as 09:30, por: cdb

Em um discurso bastante otimista sobre a trajetória recente da inflação, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, disse que, apesar de alguns repiques no mês de março, os dados de abril para cá indicam um declínio consistente da inflação.

– Os resultados da política monetária apertada começam a aparecer – afirmou Candiota, durante seminário promovido pela Bolsa Mercantil e Futuros (BM&F), em São Paulo.

Segundo o diretor, mantido esse processo poderá ser dado um “ponto final” à inércia inflacionária, um “fantasma” decorrente da contaminação dos preços comercializáveis e posteriormente não comercializáveis, resultado da forte desvalorização cambial no segundo semestre do ano passado. Candiota destacou que não apenas o IPCA, mas também os demais índices, vêm registrando uma queda consistente de um mês para cá, o que também está ocorrendo na expectativa dos agentes financeiros sobre o futuro da inflação, tanto mensais quanto na projeção para os próximos 12 meses.

– É uma notícia positiva que nos alegra e nos deixa certos da direção correta da política monetária – afirmou Candiota, sublinhando que esse efeito sobre os preços começa a trazer a trajetória da inflação para aquela definida pela sociedade no regime de metas.

Após o discurso, questionado sobre as declarações positivas em relação à inércia inflacionária, Candiota negou-se a afirmar que se trata de uma batalha vencida. Manteve, no entanto, o tom otimista ao responder que, depois de um forte efeito inercial sobre a inflação, a política monetária começa a apresentar efeitos positivos nessa direção.

– É uma batalha longa e difícil, e temos que encerrá-la com toda a responsabilidade.

Segundo o diretor de Política Monetária do BC, diversos setores elevaram seus preços, mesmo com os sinais de uma demanda fraca e uma política monetária comprometida. O efeito disso, segundo Candiota, é que hoje muitos desses setores deparam-se com elevados níveis de estoque.

A partir daí, teriam dois caminhos: ou acreditam em um Banco Central mais leniente e incrementam ainda mais esses repasses, perpetuando a inércia inflacionária, ou enfrentam um nível de custo de carregamento desses estoques, aliado a um nível de demanda em que observam não ser mais possível aumentar os preços.

– É este segundo ponto que temos constatado mais recentemente – explicou o diretor do BC.

Fantasma – Candiota disse que vê a utilização do compulsório como um instrumento de política monetária ao lado dos juros, mas se negou a responder se esta seria ou não uma opção nas próximas decisões do Copom. Sobre os efeitos danosos para a atividade econômica decorrentes dessa política monetária apertada, que já começa a despertar alguma preocupação nos investidores, Candiota respondeu que a atitude do BC é clara nesse sentido e essa política evitou que o País entrasse em recessão.

– O PIB terá crescimento em 2003 – enfatizou o diretor, citando o risco da inflação como “um fantasma que ronda a economia brasileira”.

Segundo Candiota, o Banco Central tem visto uma demanda crescente pelos títulos da dívida externa brasileira no mercado internacional.

– Importante observar que não só a boa conjuntura internacional, com bastante liquidez, mas também a consolidação dos compromissos macroeconômicos do governo, tem levado a isso – afirmou o diretor.

Na avaliação do diretor do BC, isso traz algum conforto, pois os mercados internacionais começam novamente a perceber o Brasil como uma opção de investimento em um ambiente de política econômica consistente, no médio e longo prazos.