Direita israelense rejeita proposta de paz com criação de Estado Palestino

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Publicado segunda-feira, 13 de maio de 2002 as 18:52, por: cdb

O Likud, do primeiro-ministro Ariel Sharon, aprovou a resolução de jamais aceitar a criação de um Estado palestino, proposta pelo ex-primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, no domingo, contrariando a posição do premiê de Israel. Na opinião do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, a decisão do partido israelense Likud “é a destruição dos acordos de Oslo”, negociados nos anos 90.

Nesta segunda-feira, Arafat visita a cidade de Belém, sendo que sua agenda também inclui as cidades de Nablus e Jenin, todas na Cisjordânia e os principais alvos da ocupação israelense das últimas semanas.

Sharon
O principal negociador palestino, Saeb Erekat, disse que a decisão do Likud mostra que Israel está lutando para manter a ocupação, em vez de combater o terror, como afirma. No domingo à noite, Yasser Arafat falou sobre seu desejo de estabelecer um Estado palestino independente “lado a lado com um Estado judaico”.

Embora tenha pedido que os parlamentares do seu partido votassem contra a medida, dizendo que ela dificultaria qualquer negociação com os palestinos, Ariel Sharon fez um curto pronunciamento após a decisão. Ele disse que iria honrar o que foi determinado pelo comitê central do partido.

“Vou continuar liderando o Estado e o povo de Israel de acordo com as mesmas idéias que sempre me impulsionaram: segurança para o Estado de Israel e seus cidadãos e nosso desejo de paz verdadeira”, afirmou Sharon. Mas ainda não está claro se, como primeiro-ministro de uma coalizão com outros partidos, Sharon precisa se submeter à decisão do Likud.

No governo também estão integrantes do Partido Trabalhista, favoráveis a um Estado palestino. Netanyahu afirmou que o voto não tinha intenção de derrubar Sharon. “O primeiro-ministro é muito respeitado. Este é um partido unido, e eu e Sharon pertencemos ao mesmo partido”. Enquanto a reunião ocorria, os reservistas chamados pelo Exército de Israel para um cerco à Faixa de Gaza começaram a ser desmobilizados e a voltar para casa.