Direção-Geral das Artes anuncia corte de 100%

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Publicado terça-feira, 27 de março de 2012 as 17:04, por: cdb

A entidade que é considerada como “o balão de oxigénio” dos apoios anuais e pontuais à criação artística teve um corte de 100 por cento e por isso foi anunciado, pela DGA, que não haverá concursos em 2012. A deputada bloquista Catarina Martins afirma que se trata de “uma política activa para acabar com o sector cultural”.Artigo |27 Março, 2012 – 19:08André Albuquerque do CENA – Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, diz que os apoios anuais e pontuais são “o balão de oxigénio” das estruturas mais pequenas.

A Direção-Geral das Artes anunciou na passada sexta-feira um corte de 100 por cento no apoio a projetos artísticos. Uma “posição ideológica”: é assim que a estruturas, sindicato, criadores e mesmo o Bloco lêem o anúncio feito pelo Diretor-geral das Artes, Samuel Rego, de que em 2012 não serão abertos apoios pontuais e anuais às artes.

Depois dos cortes de 38 por cento nos apoios quadrienais e bienais, o corte total nos pontuais e anuais deixa a descoberto um sector cada vez mais fragilizado.

A Secretaria de Estado da Cultura  recusou fazer qualquer comentário. Samuel Rego chamou a atenção para novos apoios à internacionalização, uma bolsa de 600 mil euros para um máximo de 100 candidaturas. Todavia, no ano passado, entre pontuais e anuais, foram atribuídos 2,1 milhões de euros a 107 candidaturas.

A deputada Catarina Martins não poupou nas críticas. “Há muito tempo que falamos em desinvestimento na cultura mas isto vai para além disso, é uma política activa para acabar com o sector cultural”, disse ao jornal Público a deputada bloquista que, na semana passada, questionou a Secretaria de Estado da Cultura sobre o assunto.

Já Ada Pereia, pela Plateia (associação de profissionais das artes cénicas), disse não estar completamente surpreendida, uma vez que os concursos já deviam ter sido abertos em dezembro. Contudo, vê o anúncio como antevisão de piores notícias – “O próximo anúncio que esperamos é que, para o ano, se abandone em definitivo o apoio do Estado às artes e a obrigação democrática de haver produtos culturais e produtos de criação contemporânea disponíveis para a população portuguesa”, disse ao Público, lembrando ainda que a produção artística tem vindo a sofrer uma quebra nos últimos meses devido à instabilidade.

O bailarino e coreógrafo Francisco Camacho da Rede – Associação de Estruturas Para a Dança Contemporânea, ouvido pelo mesmo jornal, garante que, sem apoios financeiros, as produções pensadas, e até já começadas, vão ter de parar. “Sem dinheiro, a oferta cultural será reduzida, enquanto o desemprego no sector vai aumentar”, alertou. “Estamos a assistir a cortes sem qualquer perspectiva”. Isto revela “uma posição ideológica fortíssima, que advém também da ausência de um ministro da Cultura”, acusou.

André Albuquerque do CENA – Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual, diz que os apoios anuais e pontuais são “o balão de oxigénio” das estruturas mais pequenas e por isso avisa – “Vai descer a qualidade e a quantidade de espectáculos ocasionais, principalmente de companhias sem espaço próprio.”

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