Dinamarca deve extraditar Marcelo Bauer

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 02:53, por: cdb

Depois da condenação dos acusados de matar o índio Galdino, Brasília deverá ter outro julgamento para entrar para a história da cidade. A Suprema Corte da Dinamarca aceitou pedido do governo brasileiro para extraditar Marcelo Duarte Bauer, que há 13 anos teria assassinado a ex-namorada Thaís Muniz Mendonça. Foragido da Justiça, Bauer estudava, trabalhava e namorava na cidade dinamarquesa de Arhus.

Agora, Bauer terá prisão decretada e poderá voltar ao País. O crime, ocorrido no câmpus da Universidade de Brasília, teve requintes de crueldades. Com 21 anos à época, Thaís foi esfaqueada até a morte. Em viagem a Genebra, o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, disse por meio de nota que a extradição de Marcelo Bauer é resultado de um trabalho do governo “no sentido de capturar foragidos da Justiça”. “Um caso criminal que durante treze anos esteve sem solução terá, agora, como ser julgado.”

A defesa de Bauer tinha conseguido derrubar na segunda instância da Justiça da Dinamarca decisão anterior que permitia a extradição. O caso foi para a Suprema Corte e, segundo advogados que acompanham o caso, dificilmente será revertido a favor de Bauer. O suspeito de assassinar a ex-namorada chegou a ficar preso entre setembro de 2000 a maio deste ano na Dinamarca.

Após o crime, Marcelo Bauer conseguiu escapar do processo contra ele saindo do País. Ele só foi localizado depois que uma foto envelhecida nos laboratórios da Polícia Civil de Brasília foi divulgada no Exterio. “A reprodução era idêntica à imagem atual de Marcelo Bauer”, afirmou Luiz Paulo Barreto, diretor do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça.

Na lista dos 50 foragidos da Justiça brasileira, Bauer era um dos dois mais procurados pelo governo, ressaltou Barreto. O outro é o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que mora na Itália. “Estamos mudando a imagem de impunidade”, disse o representante do Ministério da Justiça. Ele faz questão de lembrar foragidos famosos que acabaram sendo extraditados, como a fraudadora do INSS Georgina de Freitas e o empresário Paulo César Farias, o PC.