Diminui esperança no resgate dos mineiros russos

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Publicado domingo, 26 de outubro de 2003 as 16:06, por: cdb

Correndo contra o tempo, as equipes de resgate que procuram 13 mineiros desaparecidos na mina “Západnaya”, no sul da Rússia, encontraram graves problemas após a abertura de uma passagem de água que continua inundando o local.

A angústia e o nervosismo em relação à sorte dos mineiros que ainda não haviam sido encontrados tornaram-se grandes preocupações no entorno da mina de carvão da região de Rostov, onde na quinta-feira passada um acidente deixou 46 operários presos abaixo da terra.

Enquanto num hospital próximo os 33 mineiros resgatados ontem com vida se recuperavam exaustos depois de passar 40 horas debaixo da terra, os familiares dos que ainda não apareceram mostraram os primeiros sinais de desânimo.

Perto da mina, uma cerimônia religiosa foi realizada por um pope ortodoxo para rezar pela salvação dos 13 mineiros que continuam em algum local do complexo.

Os trabalhos de resgate nessa mina de carvão da região de Rostov se atrasaram na última noite, quando foi descoberto monóxido de carbono em um dos túneis nos quais os mineiros trabalhavam com rapidez há quase três dias para encontrar seus companheiros.

Mas o pior estava por vir: a aparição de novas brechas nas paredes que separam a mina do imenso reservatório subterrâneo (cuja ruptura causou o acidente) criaram um novo fluxo de água contra o qual pouco podem fazer as rochas e concreto lançados no buraco.

Víctor Kapkanschikov, chefe da direção de forças civis e operações de resgate do ministério de Situações de Emergência, reconheceu no início da manhã de domingo que na noite anterior o nível de água subiu sete metros e que o fluxo agora é de aproximadamente 25 mil metros cúbicos por hora.

“Se não forem tomadas medidas rapidamente, a mina ficará totalmente inundada dentro de 40 horas”, advertiu Serguéi Mijailov, um dos organizadores do resgate. Nesse caso, a sorte dos mineiros presos em alguma parte da mina estaria encerrada.

A irrupção de mais água na mina, apesar dos frenéticos esforços para encher com milhares de toneladas de escombros os poços onde transborda o lago subterrâneo, não só põe em risco a vida dos mineiros presos, como também impede o acesso das equipes de resgate.

Uma das esperanças está no túnel que várias brigadas de mineiros estão cavando com meios manuais para evitar vibrações, em uma mina próxima, a “Komsomólskaya Pravda”, situada a 60 metros, e com a qual pretendem interceptar a galeria na qual podem estar os 13 desaparecidos.

No entanto, e apesar de as autoridades terem dito que eram necessários somente dois ou três dias para cavar esse túnel de evacuação e que os trabalhos começaram quase imediatamente depois do acidente, a escavação só avançou 30 metros.

Os próprios especialistas da operação de salvamento comandada pelo ministério de Situações de Emergência informaram na sexta-feira que os mineiros presos embaixo da terra dispunham de apenas dois dias de ar e os que foram resgatados ontem já sofriam sintomas da falta de oxigênio.

Embora Vladimir Gorbátov, à frente dos trabalhos de resgate, tenha afirmado que os mineiros presos podem sobreviver por até uma semana se encontrarem uma cavidade com uma bolsa de ar suficientemente grande, hoje já havia dúdivas sobre essa possibilidade.

Por isso, decidiu-se abrir vários poços de ventilação na parte norte da mina a fim de reduzir o nível de gás carbônico e aumentar o de oxigênio nas possíveis galerias que ainda não estejam inundadas.

Nos arredores da mina, o descontentamento com a operação crescia hoje e era grande o número de mineiros veteranos que se perguntavam por que não se começou desde o início a bombear água das instalações inundadas, para enfrentar a inevitável subida.

As críticas não eram apenas aos donos da mina, mas também às autoridades de Rostov, pois desde muito tempo sabia-se que a água vinha se acumulando no lago subterrâneo e era possível que ocorresse uma catástrofe.

Já em fevereiro passado ocorreu um acidente semelhante, mas à época não h