Diferenças surgem na chegada de Lula à Argentina

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Publicado quinta-feira, 16 de outubro de 2003 as 11:14, por: cdb

Mal o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pôs os pés em Buenos Aires, na noite desta quarta-feira, acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia e de uma comitiva oficial, e as diferenças entre os governos do Brasil e da Argentina começaram a vir à tona.

A comitiva de Lula, com cinco ministros, entre eles Antonio Palocci, da Fazenda, e oito parlamentares, foi recebida no aeroporto por funcionários do segundo escalão do governo argentino. Nesta q uinta-feira, Lula e o presidente da Argentina, Néstor Krichner, assinam o Consenso de Buenos Aires.

Na chegada, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que também integra a comitiva presidencial, disse que, entre os anúncios bilaterais a serem feitos hoje, está a idéia de o Brasil ocupar uma cadeira permanente na ONU, com a Argentina como sua convidada direta nas discussões.

Logo depois, o número dois do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, Martin Redrado, discordava: “Este assunto não vai ser tratado. A posição argentina é conhecida e não mudou. Nós defendemos uma cadeira rotativa para todos os integrantes da região.”

As declarações de Celso Amorim e também de Redrado foram feitas ainda na Base Aérea de Buenos Aires, assim que o avião presidencial brasileiro aterrisou na capital da Argentina.

Segundo o chanceler Celso Amorim, Brasil e Argentina farão hoje uma série de anúncios de acordos, que vão desde infraestrutura, como a maior integração física entre os dois países, e agricultura, às questões sociais.

Entre elas está o chamado Consenso de Buenos Aires, um documento que será assinado hoje pelos presidentes Lula e Néstor Kirchner durante cerimônia na Casa Rosada. O tratado é uma espécie de contraponto ao Consenso de Washington, documento de base neoliberal que norteou a política econômica para os países em desenvolvimento nos anos 90.

Agenda

O presidente Lula receberá, às 9h, a delegação das Escolas Bilíngües, na residência da Embaixada do Brasil, em Buenos Aires. Às 9h30, terá encontro com o reitor da Universidade Nacional de Córdoba. Depois, às 10h40, Lula irá à Praça San Martin depositar uma coroa de flores no monumento ao general José de San Martin. E, às 11h, terá reunião de trabalho com o presidente Kirchner.

Às 13h, no Hotel Sheraton, Lula participará da cerimônia de encerramento do seminário “Integração Sul-americana, Desafios e Oportunidades”; às 15h30, visitará o Parlamento e assistirá à sessão solene em homenagem à República Federativa do Brasil.

Às 16h45, no Palácio Municipal, visitará o prefeito de Buenos Aires e receberá a chave da cidade e o título de Cidadão de Honra e, às 18h, terá encontro com o governador da província de Buenos Aires, Felipe Solá, na residência da Embaixada do Brasil. No mesmo local, às 18h30, receberá sindicalistas. À noite, Lula será homenageado com jantar no Palácio San Martin, pelo presidente Nestor Kirchner.

Acompanham o presidente na viagem à Argentina os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, da Agricultura, Roberto Rodrigues, de Minas e Energia, Dilma Rousseff, da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e dos Transportes, Anderson Adauto.