Diego Hypólito de olho nas Olimpíadas 2004

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Publicado terça-feira, 26 de novembro de 2002 as 23:33, por: cdb

Rouco de tanto comemorar a classificação às finais do Mundial de Ginástica da Hungria no solo e salto sobre o cavalo, e mais tarde a quinta colocação como o melhor do mundo no solo em sua primeira competição enfrentando os melhores ginastas do planeta, o jovem Diego Hypólito, 16 anos de idade, 1,67m de altura e 65 quilos, desceu esta manhã no Rio ainda não acreditando no que fez e conquistou na cidade de Debrecen no último domingo.

– Sinceramente, quando saí do Brasil para o Mundial de Debrecen, não esperava nem a classificação à semifinal. Mas depois que garanti a vaga entre os 16 melhores do mundo, aí senti que poderia ir mais longe. Fui com tudo, ganhei vaga nas finais no solo e no salto sobre o cavalo e agora estou nas nuvens com este quinto lugar no solo que é uma marca histórica na ginástica masculina brasileira – disse o jovem Diego tendo a mãe Geni ao seu lado.

O mais novo fenômeno da Família Hypólito espelhou-se na irmã Daniele, claro, para começar os treinos na ginástica olímpica do Flamengo em 1995, aos 9 anos incompletos. Para muitos especialistas, a idade seria avançada, já que este esporte pede uma iniciação desde a mais tenra idade, quando as crianças, aos 4 e 5 anos, começam a projetar os primeiros movimentos de cambalhota e estrelas.

A TRAJETÓRIA – Diego tinha acabado de chegar ao Rio vindo de Santo André, no ABC paulista, junto com a irmã Daniele, o irmão mais velho, Edson Hypólito, que começa a carreira de técnico, e os pais. Daniele tinha pouco mais de 10 anos e já estava adiantada em alguns exercícios. A “Pequena Notável” começava naquele ano de 1995 sua trajetória espetacular pelas mãos de Georgette Vidor, enquanto Diego dava os primeiros passos- ou saltos – com o técnico Renato Alves de Araújo, que o acompanhou ao Mundial de Debrecen.

Em 1997, o garoto Diego Hypólito, aos 11 anos de idade, foi a um Campeonato Brasileiro Mirim. Ficou em sexto lugar, mas sua performance foi tão elogiada pelos técnicos que Diego bateu o martelo para si mesmo: ia abraçar a ginástica olímpica com a seriedade e a dedicação da irmã Daniele, já naquele ano campeã brasileira aos 14 anos.

No ano seguinte, em 1998, competindo novamente a nível nacional, Diego Hypólito colocou no pescoço nada menos do que 7 medalhas de ouro e uma de prata.

– Aí não teve mais jeito. A ginástica era o meu esporte favorito e passei a pensar nas competições internacionais. É claro que não me passou pela cabeça chegar tão cedo a uma final mundial como essa na Hungria. Agora, a responsabilidade aumentou e precisarei treinar mais e mais para continuar entre os melhores do mundo – diz o jovem de 16 anos.

Em Debrecen, Diego confessa que sentiu “um frio estranho na barriga” no dia do podium, que é o momento em que todos os competidores vão ao local da competição para um treino final com a presença do público.

– Quando vi aquela gente toda vibrando, batendo palma e dando calor humano aos atletas num simples treino, fiquei emocionado e nervoso. Mas me concentrei em seguida e pensei que seria o máximo conquistar aquelas pessoas na competição pra valer.

O FUTURO – Diego Hypólito vai ter apenas algumas horas de descanso após o Mundial de Debrecen. Ainda no decorrer desta semana ele estará de volta aos treinos com o professor Renato Alves de Araújo no Ginásio Cláudio Coutinho, na Gávea, pois em janeiro estará de novo competindo de verdade no Circuito Brasil Olímpico de Ginástica numa praia do Rio. A competição será a partir de 17 de janeiro e o único descanso de verdade – e merecido até pelas datas – será na semana entre o Natal e o Ano Novo. No dia 2 de janeiro os treinos serão retomados pra valer.

O ano de 2003 será repleto de competições de nível nacional e internacional, mas o objetivo mesmo é a Grécia, em 2004, nas Olimpíadas de Atenas, dez dias depois dos Jogos Pan-Americanos de Porto Rico:

– Será a maior realização minha se conseguir participar das Olimpíadas de Atenas em 2004. Esse é o maior de