Dia de Finados com manifestações pelo desarmamento em SP

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Publicado domingo, 2 de novembro de 2003 as 21:42, por: cdb

As manifestações contra a violência ganharam espaço no Dia de Finados. Enquanto a chuva causou uma queda de mais de 30% nas visitas aos 22 cemitérios municipais da capital paulista, que receberam 1,1 milhão de pessoas, muitos lembraram presos políticos e pediram o desarmamento da comunidade.

Nem mesmo a garoa fina expulsou os fiéis que assistiam à missa da manhã no Cemitério de Perus. Com guarda-chuvas e sombrinhas abertos, as pessoas acompanharam a celebração, que lembrou as vítimas da ditadura militar (1964-1985), enterradas em valas comuns no local, descobertas em 1990.

– Que nunca aconteça mais o que aconteceu, a injustiça, a violência e a incompreensão -afirmou o padre Mateus Vroemen, um dos responsáveis pela cerimônia, à qual compareceram 1.500 pessoas.

No mesmo horário, em outro cemitério paulistano, manifestantes alertavam que a luta contra o esquecimento esbarrava na falta de placas e jazigos. No São Luiz, zona sul de São Paulo, poucas sepulturas têm identificação e não existem jazigos.

Todas as homenagens, como as velas, vão para o chão, de terra. Ali, uma em cada cinco pessoas enterradas foi assassinada.

Neste domingo, foi inaugurada no local a Praça da Paz, para lembrar as vítimas da criminalidade. Esse também foi o lugar da celebração do ato ecumênico, após a 8.ª Caminhada pela Vida e pela Paz, organizada por 200 entidades de Jardim Ângela, São Luiz, Capão Redondo, Campo Limpo e Vila Andrade.

A passeata teve início às 8 horas, no Jardim Ângela, e chegou por volta das 10 horas ao cemitério. Pouco mais de 3 mil pessoas participaram da manifestação, que destacou a importância do desarmamento.

O diretor do Serviço Funerário, Osmar Ghetti, estimou uma queda de mais de 30% na freqüência. “O total de pessoas deve ter ficado em 1,1 milhão”, disse. O Cemitério de Vila Formosa, um dos mais movimentados, recebeu cerca de 200 mil pessoas.

Ghetti anunciou ainda que, em 2004, os números serão mais precisos. “Pretendemos colocar catracas nos cemitérios, na semana do Dia de Finados, para registrar o número real de pessoas que passam por ali”.