Deve terminar na Justiça a eleição para presidente da CBF

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Publicado domingo, 29 de junho de 2003 as 09:34, por: cdb

A eleição para a sucessão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, deve terminar na Justiça Comum. O pleito está marcado para 9 de julho e a oposição já se mobiliza para tentar impugná-lo.

A chapa liderada pelo advogado Carlos Alberto Oliveira quer ampla participação dos clubes profissionais no processo eleitoral e vai lutar para que os integrantes das Séries B e C do Campeonato Brasileiro e todos os participantes da Copa do Brasil tenham direito a voto.

Isto elevaria o número de eleitores de 51 para mais de 120, o que tornaria o resultado imprevisível. Pelo edital de convocação da CBF, podem votar na assembléia-geral de 9 de julho as 27 federações estaduais de futebol e 24 clubes, provavelmente os da Série A do Brasileiro.

Isto, porém, contraria determinação do Artigo 22 da Lei Pelé, que assegura a formação de um colégio eleitoral democrático.

– Na terça-feira, estarei no Rio para decidir os rumos de nossa campanha. Mas é certo que vamos requerer na Justiça Comum o direito ao cumprimento da lei – disse Oliveira.

Ele vai travar disputa com Teixeira, que concluirá em dezembro o seu quarto mandato na CBF. Ex-secretário de Justiça de Pernambuco e deputado federal de 1966 a 1980, Oliveira, de 61 anos, promete transparência numa eventual gestão na entidade.

– Minha primeira atitude seria reduzir drasticamennte o salário dos diretores da CBF. Tem gente lá recebendo R$ 40 mil por mês. Com os clubes na falência, isso é no mínimo uma sem-vergonhice – disse Teixeira.

Presidente da Federação de Futebol de Pernambuco, Oliveira pretende criar um comitê executivo, se for eleito, para rediscutir o modelo das competições e o calendário do futebol. Tem a intenção de valorizar os Campeonatos Estaduais e Regionais sem esvaziar o Brasileiro.

Duas semanas atrás, Oliveira esteve no Rio para um encontro reservado com o ex-presidente da CBF, Giulite Coutinho. Conversou também com o ex-senador Geraldo Althof, o relator da CPI do Futebol no Senado, e com o ex-presidente do Flamengo, Márcio Braga.

Este grupo está empenhado em criar uma organização não-governamental (Ong), chamada de Gol, cujo principal objetivo é o de lutar pela transparência na direção do futebol do país.

– Acompanho com grande preocupação o processo eleitoral na CBF. Houve nos últimos um acúmulo de problemas graves na entidade – comentou Coutinho.

Althof é um dos mais críticos opositores de Teixeira. Acredita que a atual administração da CBF levou o futebol brasileiro a uma situação extrema de “desmando, desorganização e, acima de tudo, de desonestidade”. Ele está convicto de que a eleição vai parar nos tribunais.

– Não tenho dúvidas de que vamos ficar na mão da Justiça – disse. Para concorrer à eleição, é preciso inscrever uma chapa até 4 de julho, com o aval de pelo menos cinco federações. Este é outro ponto questionado pela oposição.

– Por que não podem ser assinaturas dos clubes? – questionou Coutinho.

O presidente em exercício da CBF, Nabi Abi Chedid, confirmou que Teixeira vai se lançar novamente à reeleição, o que será formalizado na segunda-feira.

Chedid disse que a entidade vai fazer valer o seu estatuto e não demonstrou preocupação com a possibilidade de a disputa eleitoral terminar na Justiça. Ele rebateu às acusações à gestão de Teixeira.

– O futebol do Brasil vai muito bem, ninguém tem dúvidas disso, e não procedem as críticas – defende Chedid.