Desvalorização do dólar frente ao real não deve preocupar exportador

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Publicado quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005 as 18:41, por: cdb

A desvalorização do dólar frente ao real não é motivo para preocupação dos exportadores, pois deverá haver uma acomodação desse processo nos próximos meses. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, depois de participar da primeira reunião da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O ministro disse que, no Chile, o peso também está sobrevalorizado em relação ao dólar. Segundo o ministro, no próprio free shop do aeroporto os artigos são vendidos na moeda chilena.

Para Furlan, é natural que o aumento das taxas de juros provoque contração na economia. Ele afirmou, entretanto, que isso não comprometerá a expectativa de crescimento para este ano. De acordo com o ministro, uma prova disso é que, nos encontros internacionais recentemente ocorridos, os investidores demonstraram interesse em investir no Brasil, e isso confirma as previsões de crescimento feitas pelo governo.

– Alguns setores perdem agilidade atualmente, mas outros não, e o país trabalha com a diversificação de mercados entre as prioridades da política exterior, que acabam contornando as dificuldades e trazendo bons resultados – acrescentou Furlan.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, vai presidir o Conselho Deliberativo da ABDI, criada em dezembro último para articular estratégias de política industrial visando o aumento da competitividade do setor produtivo. O atual diretor da Agência de Promoção das Exportações (Apex Brasil), Alessandro Teixeira, será o presidente da ABDI.

Eduardo Campos afirmou que, em dois anos de governo, o ministro Luiz Fernando Furlan derrubou, na área do desenvolvimento industrial, uma inércia que se verificava no país há 20 anos. E hoje 14 fundos setoriais ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia trabalham ativamente na inovação científico-tecnologica, que se destina a dar aos meios de produção industrial uma agregação de valor maior ao que o país produz, acrescentou Campos.

Furlan lembrou que passou por alegrias e frustrações em sua gestão, mencionou o pessimismo que alguns críticos da política industrial demonstravam e observou que:

– Hoje pode-se ver que eles não tinham razão.

A próxima reunião da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial será em abril. Até março, a agência vai se organizar do ponto de vista institucional e isso não vai afetar as políticas que estão em curso, conforme lembrou seu presidente, Alessandro Teixeira. Ele lembrou que antes havia pessoas, em cada ministério, que articulavam os interesses da política industrial e, agora, tudo vai ficar concentrado na ABDI, que trabalhará 24 horas por dia visando o desenvolvimento científico e tecnológico das áreas de produção.

Segundo Alessandro Teixeira, a ABDI é uma política de governo e não uma meta de trabalho exclusiva dos ministérios envolvidos. Teixeira disse que a criação da agência não afeta o papel do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial, que é presidido pelo ministro Luiz Fernando Furlan. A ABDI deverá ter de 50 a 113 funcionários e a sede será em Brasília. O orçamento deverá ser superior a R$ 14 milhões anuais, informou.

O diretor de Desenvolvimento Industrial será o professor Mário Sérgio Salerno, do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que também é diretor de Estudos Setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). A Diretoria de Inovação ficará com Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, Ph.D em física pela Princeton University e mestre em Física pela PUC do Rio de Janeiro.