Deputados que desistem de extras mantêm destino político do dinheiro

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Publicado quarta-feira, 4 de janeiro de 2006 as 14:40, por: cdb

A deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN) é o 51º parlamentar da Câmara a declarar que vai abrir mão ao salário extra da convocação extraordinária da Casa, que conta com 513 deputados. Segundo a assessoria da deputada, o dinheiro foi repassado para “instituições que lidam com a questão social no Rio Grande do Norte”, Estado de origem da congressista.

– salário extra é legal, está previsto na lei, mas não é ético – afirmou.

A doação de recursos para os Estados de origem tem sido a regra entre os parlamentares que abriram mão dos salários extras. Dos 50 deputados que, até ontem, haviam divulgado abrir mão dos R$ 25.694,40 extras a que têm direito pela convocação, de 16 de dezembro a 14 de fevereiro, 22 disseram que os doarão.

A convocação do Congresso teve por objetivo acelerar os processos de cassação dos parlamentares envolvidos no escândalo do “mensalão”, o que arretou custos estimados da ordem de R$ 100 milhões. No entanto, as duas Casas (Câmara e Senado) ficaram praticamente vazios nos primeiros dias de convocação. O Conselho de Ética da Câmara, a última instância dos processos de cassação antes do plenário, encerrou suas atividades pouco antes do final do ano para somente retornar no dia 9 deste mês.

Desconfiados

Os deputados que, embora tenham recusado o salário extra pela convocação do Congresso, segundo levantamento de parlamentares da oposição, deram “uma forcinha” para as suas bases eleitorais com a doação dos recursos para entidades e movimentos sociais. Ao todo, 22 disseram que preferem receber o salário e doá-lo integralmente a essas instituições. Metade do dinheiro foi depositada em 30 de dezembro, o que significa R$ 9.314 no bolso de cada parlamentar, descontados os impostos. A segunda parcela deve ser depositada no final de fevereiro.

Marcello Siqueira (PMDB-MG) é um dos que pretende distribuir a verba entre oito entidades assistenciais de sua cidade, Juiz de Fora (MG), todas ligadas à saúde. Já Alex Canziani (PTB-PR) elegeu o Instituto do Câncer de Londrina (PR), sua cidade, para receber a primeira parcela. O ato já lhe rendeu uma recepção pela diretoria da instituição no ato de entrega, com direito a fotos e notas nos jornais locais. O hospital acaba de receber, por intervenção sua, R$ 300 mil para medicamentos.

– O hospital presta serviços relevantes para toda a região e recebe até pacientes de outros Estados – justificou.

Para o deputado Cláudio Vignatti (PT-SC), ainda não há uma decisão sobre quem deverá receber o dinheiro, mas ele diz que, com certeza, serão movimentos sociais os beneficiados. Ele é de Chapecó. interior de Santa Catarina, onde recebeu o apoio dos movimentos de trabalhadores na agricultura e de luta por moradia da cidade. Um dos líderes de esquerda do PSol-PA, as doações do deputado Babá não seguirão para o seu Estado de origem, mas para o Rio de Janeiro, por onde pretende se candidatar, ao Instituto Nacional do Câncer, no Rio.