Deputados prestam homenagem ao ex-parlamentar Sérgio Miranda

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Publicado terça-feira, 27 de novembro de 2012 as 16:49, por: cdb

O ex-deputado Sérgio Miranda foi homenageado pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (28). Sérgio Miranda morreu ontem (27) após uma luta contra um câncer de pâncreas e foi velado no Salão Nobre da Casa. A líder do PCdoB na Câmara, deputada Luciana Santos (PE), não conseguiu conter o choro ao pedir um minuto de silêncio, que foi cumprido em meio à sessão de votação. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), também muito emocionada, fez elogios ao colega.
Após a fala das duas deputadas, parlamentares de todos os partidos políticos fizeram discursos enaltecendo a atuação do paraense que se tornou mineiro. Nascido em Belém do Pará, Sérgio Miranda foi eleito por quatro mandatos pelo PCdoB de Minas Gerais.

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O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que Sérgio Miranda tinha conhecimento profundo e capacidade de argumentação, mas o que embalsava o seu trabalho sério no Parlamento e fora dele era a motivação a partir das suas convicções políticas.

Jandira disse que o seu sentimento era compartilhado por todos os deputados. “Confesso que foi muito difícil sepultar o nosso camarada Sérgio Miranda”, disse, destacando que ele era “um homem do mundo, do Brasil e da luta de seu povo. Ele foi velado aqui, mas podia ter sido velado nas portas das fábricas, nas ruas, de onde nunca saiu”.

A deputada, compartilhando das palavras elogiosas de outros parlamentares, disse ainda que “em tempo explícito em que a lealdade não prevalece, ele era do tempo da lealdade, do amor, mas os seus ensinamentos permanecerão conosco”.

A deputada Luciana Santos, que iniciou as falas de homenagem a Sérgio Miranda, disse que a morte dele “representa uma grande perda não somente para o Partido Comunista do Brasil, onde militou desde muito jovem, mas para todos que com ele lutaram por um Brasil justo e democrático”.

“Homem sensível, cativava a todos com sua alegria de viver e simplicidade, com sua postura colaborativa e também combativa, e seu profundo conhecimento teórico que deram a ele a capacidade de pensar políticas que traduzissem a luta por nossos ideais socialistas”, disse a deputada ao descrever o colega morto.

A líder do PCdoB fez um resumo da vida política e parlamentar de Sérgio Miranda, destacando que “a democracia deve muito a ele”. Ela afirmou que “em toda a sua vida ele perseguiu a conquista de uma Nação livre, democrática, socialmente justa e com direitos assegurados a cidadãos e trabalhadores”.

Caminho de resistência

Militante do PCdoB por 43 anos, Sérgio Miranda saiu de Belém, onde nasceu, e foi estudar matemática na Universidade Federal do Ceará (UFC). A ditadura cassou momentaneamente o seu sonho de ser professor. O governo militar o expulsou da universidade em 1969. Incansável, Sérgio não se curvou à ditadura.

No seu caminho de resistência, percorreu nosso país de norte a sul construindo o PCdoB. Fixou-se em Minas Gerais, onde se radicou no início dos anos 1980, atuando como dirigente partidário. Iniciou sua vida parlamentar como vereador em Belo Horizonte, em 1988.

Chegou à Câmara dos Deputados em 1993, com a renúncia do vice-prefeito eleito de Belo Horizonte, Célio de Castro, do PSB, partido com o qual o PCdoB se coligara. Na Câmara, tornou-se uma referência nas áreas de orçamento, previdência, direitos sociais e trabalhistas. Seu gabinete tinha sempre a porta aberta aos movimentos populares.
Participou de momentos importantes nessa Casa, na Comissão do Orçamento e nas comissões de investigação, como a CPMI do Orçamento, que apurou em 1993 desvios de dinheiro público por meio de emendas ao Orçamento Geral da União, caso conhecido como Anões do Orçamento, e na CPI das Fraudes do INSS.

Como líder do PCdoB na Câmara, em 1996 e em 2000, teve papel ímpar na luta aguerrida contra o projeto neoliberal e a onda conservadora de privatizações e ataques à soberania nacional. Sempre se manteve o firme propósito da concretização dos ideais socialistas e pelos direitos dos trabalhadores.

“Sérgio Miranda com sua trajetória de vida deixou um legado importante para as novas gerações e para que continuemos lutando pelos nossos ideais socialistas”, concluiu Luciana Santos.

De Brasília
Márcia Xavier

 

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