Deputados da Bahia exigem renúncia de corregedor

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Publicado quinta-feira, 6 de novembro de 2003 as 11:33, por: cdb

Os deputados estaduais ficaram perplexos com a notícia de que o corregedor geral da União, Waldir Pires, responsável pela fiscalização, controle e transparência dos recursos públicos geridos por organismos federais, estados e municípios, está tão enrascado com a Receita Federal a ponto de não conseguir tirar uma certidão negativa de débitos e tributos do Fisco.

Segundo os parlamentares, que já criticam os métodos truculentos e políticos utilizados pela corregedoria na fiscalização de prefeituras administradas por adversários petistas no Estado, Waldir Pires deve renunciar ao cargo, entregá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porque a Corregedoria exige lisura, o que, de acordo com informações oficiais da Receita, ele não tem.

Enquanto a bancada do PT na Casa ficou calada, evitando comentar a denúncia (mais uma envolvendo o ex-governador, que possui três aposentadorias), os deputados da base governistas afirmaram que Waldir não tem mais moral para bancar o “xerife” dos recursos públicos federais.

– E ele ainda fica por aí a arrotar e a querer ser, na realidade, o grande fiscal, o grande tutor da administração pública federal, à procura de bodes expiatórios. Tem pendências com o Fisco e só pagou, se é que pagou mesmo, depois que foi descoberto por um jornalista – disse o deputado Tarcízio Pimenta (PFL), no plenário da Assembléia.

Para o pefelista, o corregedor precisa urgentemente dar explicações sobre sua situação perante a Receita Federal.

– Porque eu já ouvi discursos inflamados do tipo: vamos chamar o ministro corregedor para prender, para punir, para fiscalizar. Fiscalizado deve ser ele, que não pode tirar uma certidão negativa. É preciso que o governo federal tenha mais transparência – cobrou Pimenta, acrescentando que o presidente Lula deveria, antes de convidar Waldir para fazer parte do governo, checar a situação dele junto ao Fisco, visto que o cargo é estratégico e exige transparência.

O deputado Antônio Rodrigues (PFL) afirmou que é indispensável a ministros e a qualquer homem público, principalmente os que ocupam cargos fiscalizatórios, que tenham a tranqüilidade para que um dia também possam ser fiscalizados. “O ministro tem pregado a moralidade, a fiscalização com todo rigor e tem sua vida vulnerável. Parece até coisa de falso pregador”, declarou.

Ele defendeu que, se os prefeitos são obrigados a se explicar por suspeitas de irregularidades à força-tarefa da corregedoria, Waldir Pires tem também a obrigação de assumir suas responsabilidades perante a Receita Federal.

– O governo, que já tem um ministério informal, agora tem o da transparência opaca – afirmou o deputado Roberto Muniz (PP). Ele disse que Waldir Pires deve explicações aos prefeitos de todo o país. – Ele exigiu moralidade e transparência com os recursos federais. Portanto, os prefeitos têm o direito de exigir o mesmo do senhor Waldir Pires, que é transparência e moralidade com os recursos públicos – enfatizou.