Depoimento de Palocci agrada investidor

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Publicado quinta-feira, 17 de novembro de 2005 as 11:51, por: cdb

O depoimento do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aos senadores que integram a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) foi bem recebido, mas com ressalvas, nos principais mercados mundiais. Para os vizinhos argentinos, conforme os destaques desta quinta-feira na mídia daquele país, o ministro permanece no cargo, mas sem o prestígio desejado junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os principais destaques do diário El Clarín e o La Nación, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou uma dúvida no ar ao não citar Palocci durante discurso no qual destacava os pontos positivos da economia brasileira, justamente algumas horas antes de Palocci enfrentar o Senado.

“Palocci diz que tem o apoio de Lula”, diz o título do La Nación. No subtítulo, o jornal afirma que o ministro descartou a renúncia e desmentiu ter participado em uma rede ilegal para financiar campanhas do PT.

E o “El Clarín” publicou o título “Se aprofunda a crise: Lula não respaldou o ministro da Fazenda”. No subtítulo, o jornal diz que era esperado “um gesto do presidente que fortaleceria Palocci” e que o presidente “defendeu os resultado econômicos, mas não o mencionou”. “Apesar disso, o ministro disse estar ‘firme e forte'”. No texto, o jornal aponta um distanciamento entre Palocci e Lula.

Já o El Pais destacou a afirmação de Palocci de que permanece no cargo e que haveria uma manobra da oposição para forçar uma ida do ministro à CPI dos Bingos. “Palocci assegura ao Senado do Brasil que continuará como ministro da Fazenda”, traz o título com destaque na primeira página.

Na Europa

Embora o Le Monde, tradicional diário francês que geralmente dá destaques aos fatos ocorridos no Brasil, não tenha sequer citado o depoimento do ministro Palocci, o Financial Times, de Londres, abriu matéria de meia página sobre a ida do ministro à CAE. Segundo o jornal britânico, “investidores dos mercados emergentes estão com o foco em Brasília nesses dias em que Antonio Palocci, o ministro das finanças que carrega a economia brasileira por entre um escândalo de corrupção ao longo dos últimos seis meses, decide se fica ou não no cargo”.

Ainda segundo o FT, os rumores de que Palocci poderia renunciar fizeram o real cair 2,4% frente ao dólar na segunda-feira, na véspera do feriado da República. “A pressão sobre Palocci mostra sinais de um conflito entre o governo e a oposição, que o colocou diante de um ataque sem precedentes”, diz o jornal

Reação

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) reagiu com a alta dos títulos, nesta quinta-feira, com a ampliação dos ganhos observados na véspera do depoimento de Palocci. Os dados de inflação nos Estados Unidos também atenuaram preocupações dos investidores com a taxa de juros norte-americanas, além do que o ministro Palocci, segundo observadores, rebateu as denúncias feitas contra ele e tranquilizou o mercado.

“Os mercados no Brasil devem operar com cenário ainda positivo, repercutindo a performance de Palocci no Senado”, afirmou a corretora Planner, em relatório divulgado na manhã desta quinta. Às 11h32, o Ibovespa avançava 1,01%, para 30.791 pontos, puxado pelos papéis da Companhia Vale do Rio Doce, que exibia valorização de 1,19%.