Dengue: Aumento de casos é atribuído à volta do tipo 1 da doença

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Publicado quarta-feira, 23 de março de 2011 as 12:28, por: cdb

O aumento do número de casos de dengue no Rio de Janeiro este ano é atribuído à reentrada no Estado do vírus tipo 1 da doença. Desde o começo do ano, foram registrados mais de 20 mil casos suspeitos de dengue, de acordo com informações de autoridades do setor de saúde.

– O vírus 1 é um vírus que não circula no Estado há 20 anos, deixando praticamente toda a população do estado suscetível a esse vírus circulante –, disse o superintendente em Vigilância Epidemiológica e Ambiental, da Secretaria de Saúde do Estado, Alexandre Chieppe.

Chieppe afirmou que os médicos de todos os 92 municípios fluminenses receberam material com informações sobre a doença e que o Protocolo de Conduta da Dengue está disponível tanto no site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) como na página da Secretaria de Saúde do estado (www.riocontraadengue.com.br) para o caso de dúvidas sobre como conduzir diante de suspeita da doença.

Segundo ele, para reforçar as orientações, as equipes da secretaria estão voltando às regiões com grande incidência da dengue.

Paralelamente, os médicos estão passando por nova capacitação para ter maior agilidade no diagnóstico e evitar o aumento do número de óbitos. Só neste ano, 15 pessoas já morreram vítimas da dengue, sendo seis na capital fluminense.

– O diagnóstico da dengue é um diagnóstico clínico. Não se deve esperar teste de dengue para poder saber se a pessoa tem ou não a doença, porque o teste da dengue, na imensa maioria das vezes, não serve para tomar decisão diagnóstica. Qualquer paciente com febre, dor no corpo, dor atrás dos olhos, que apresente dor nas articulações, dor muscular, manchas vermelhas pelo corpo, é um caso suspeito de dengue e deve ser tratado como tal. O exame de diagnóstico específico para a dengue não está indicado em todos os casos –, alertou Chieppe.

Segundo ele, a preocupação atualmente é com a incidência da doença na cidade do Rio de Janeiro, onde 14 bairros já registram surto de dengue, e o número de notificações este ano já supera o total de casos registrados em 2009 e 2010 juntos.

Os municípios da Baixada Fluminense e da baixada litorânea também estão recebendo atenção da secretaria, onde foram montados centros de hidratação e de apoio a pacientes com suspeita de dengue, informou Chieppe.

A menina Maria Clara Silva Martins, de 1 ano e 9 meses, morreu nesta última segunda-feira, vítima de dengue hemorrágica no Rio de Janeiro. A criança foi internada no domingo na UTI pediátrica do hospital particular Cemeru, em Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade. De acordo com a mãe, Maria das Graças Silva Martins, de 45 anos, o diagnóstico inicial foi dor de garganta. A família acredita em erro médico.

A família da menina mora em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No bairro Grão Pará, mais de dez casos de dengue hemorrágica já foram registrados. Segundo a tia da menina, a criança foi levada pela primeira vez ao hospital na quinta-feira, e medicamentos para dor de garganta foram receitados. Ainda de acordo com a tia, a menina chegou a ter convulsões.

Segundo a administração do hospital, a morte da criança por dengue hemorrágica está confirmada, mas descarta erro médico.