Defensores da medicina natural afirmam ser essenciais na luta contra a aids

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Publicado quarta-feira, 24 de setembro de 2003 as 03:47, por: cdb

Os defensores da medicina natural afirmaram na última segunda-feira em Nairóbi, no Quênia, que têm um papel essencial a desempenhar na luta contra a aids, no momento em que um crescente número de africanos começa a ter acesso aos medicamentos anti-retrovirais.

Vários participantes da 13ª Conferência Internacional sobre a aids na África (Cisma), que acontece até a próxima sexta-feira na capital queniana, afirmaram que dois remédios tradicionais à base de plantas são muito mais eficazes e mais baratos do que os anti-retrovirais.
 
Na África, o continente mais pobre do mundo e o mais afetado pela pandemia de aids, vários doentes buscam o socorro da medicina nativa, em particular no meio rural.

Atualmente, apenas 1% das vítimas africanas tem acesso aos anti-retrovirais, mas esta proporção deve aumentar no futuro, já que o preço do tratamento caiu muito nos últimos anos. Segundo as cifras da ONU, mais de 29,4 milhões de pessoas na África subsaariana – dos quais 10 milhões entre 15 e 24 anos – vivem com o vírus HIV, sobre um total mundial de 42 milhões de infectados.

Em 2002, a aids matou 3,1 milhões de pessoas no planeta, sendo 2,4 milhões na África negra. Erick Gbodossou, presidente de uma associação de curandeiros do Senegal amada Prometra, garantiu durante a conferência que o Metrafaids, um tratamento baseado em cinco plantas, é eficaz contra a aids.

– Já o testamos e sabemos que funciona bem – disse. 

Uma pesquisa sobre o Metrafaids foi realizada durante três anos com métodos científicos modernos e sob o patrocínio da fundação americana Ford. Segundo a Prometra, os testes com 62 pessoas soropositivas com idade entre 18 e 58 anos mostraram que o tratamento reduziu a presença do HIV no sangue dos pacientes.

– Pensamos que este tipo de medicina merece ser apoiada pois pode ajudar na guerra contra a aids – destacou Gbodossou, afirmando que nenhum efeito colateral foi verificado no caso do Metrafaids.

– Mas sem financiamento, só poderemos ajudar as pessoas em pequena escala – completou.

Os métodos da medicina natural africana contra o HIV impressionaram o doutor Johnson, um médico neozelandês que trabalhou vários anos no Quênia, um dos países do leste da África mais atingidos pela aids.

Conforme o doutor Johnson, 45 pessoas soropositivas ‘em péssimo estado de saúde’ que viviam em Kibera, um bairro pobre de Nairóbi, tomaram uma infusão de Taibao, de origem chinesa, que reforçou seu sistema imunológico.
 
– Na minha opinião, este produto tem sem dúvida potencial no tratamento das doenças oportunistas – disse o doutor Johnson aos delegados.
 
– Ainda é preciso trabalhar muito com os produtos tradicionais e a tragédia de nossa época é que só investimos no tratamento com anti-retrovirais, sem admitir o potencial dos remédios naturais – concluiu o doutor Johnson.