Deep Purple quebra jejum de rock na China após 55 anos

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Publicado segunda-feira, 29 de março de 2004 as 21:53, por: cdb

O conjunto britânico Deep Purple se converterá esta semana na primeira banda de rock de renome internacional a se apresentar na China, pondo fim a um jejum de rock na República Popular que já dura 55 anos.

“A música é universal e serve para superar as barreiras idiomáticas. O rock na China não é diferente do que se escuta nos demais países do mundo”, afirmou hoje Roger Glover, baixista e um dos membros originais do grupo, durante uma entrevista coletiva em Pequim.

O Deep Purple, considerados os criadores do “rock pesado”, fará sua estréia na China com quatro shows -Pequim, Xangai, Nanjing e Cantão- a partir de 31 de março.

A lendária banda, fundada em 1968, cumpriu todos os requisitos exigidos pelas autoridades chinesas e desafiou os riscos de saúde representados pelas epidemias da Gripe do Frango e da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), só controladas recentemente.

Segundo o cantor, Ian Gillan, “a música trascende a política e a religião. O rock não é uma ameaça para nenhum governo ou país, é só um passatempo”,

Os Rolling Stones desapontaram seus fãs no ano passado ao suspender sua turnê ao país asiático devido à epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars).

O Ministério da Cultura chinês, que chegou a qualificar o rock como um veículo de “poluição espiritual”, afrouxou recentemente a mão no que se refere à autorização de grandes shows, estilo “Woodstock”.

Além disso, a chegada à China do “Deep Purple” coincide com o 30º aniversário de seu maior sucessso, o disco duplo ao vivo “Made in Japan” -o mais vendido na história da música moderna-, gravado no país asiático entre 1972 e 1974.

Além de interpretar suas velhas canções, como “Smoke on the Banheiro”, “Highway Star”, “Black Night” e “Strange Kind of Woman”, o quinteto promoverá seu último disco “Bananas” (2003), que dá nome à turnê.

“O novo disco é inspirado no som de Detroit, por isso surpreenderá alguns de nossos fãs. Mas também haverá lugar para os sons de sempre, como ‘Machine Head'”, disse o baterista Ian Paice.

Em relação à prolongada ausência de grupos internacionais de rock na China, Gillan afirmou que “existem estereótipos sobre os países que não correspondem à realidade. Quando visitamos a União Soviética, as pessoas curtiram o show como em qualquer outro país”.

Os membros do “Deep Purple” fizeram também uma alegação por escrito em favor do rock em relação a outros gêneros, afirmando que “o rock se nutre de todas as influências musicais do mundo, tradicionais e inovadoras”.

Apesar da falta de cultura musical na China e do alto preço das entradas -entre 20 e 200 dólares-, os promotores esperam vender 80 por cento dos ingressos no Pavilhão dos Trabalhadores de Pequim, cuja capacidade é de 4.000 espectadores.

Depois de inúmeros rompimentos e carreiras solo, o grupo apresenta uma formação integrada por três de seus componentes originais -Gillan, Glover e Paice-, e dois novos: o guitarrista Steve Morse e o tecladista Don Airey.

O virtuoso mas volúvel guitarrista Ritchie Blackmore voltou à banda no fim dos anos 90, mas voltou a abandoná-la por causa de desavenças com Gillan; já o tecladista John Lord decidiu dedicar-se à música clássica depois de anos de fidelidade inquebrantável ao grupo.

“Não nos agrada viver do passado. Quando começamos, o rock era uma corrente musical clandestina na Grã-Bretanha, agora podemos recorrer o mundo com total liberdade”, assinalou Glover.

O show de abertura ficará a cargo de Cui Jian, considerado o cantor de protesta chinês por definição e que estava proibido na China desde 1993 depois de captar com perfeição em suas canções o espírito libertário da rebelião estudantil de Tiananmen (1989).

Para evitar um fiasco comercial, o Deep Purple e Cui Jian dividirão em partes iguais os shows de Xangai e Cantão, berços do rock chinês.

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