Declarações de Itamar causam mal-estar em ato pró-Simon

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Publicado quinta-feira, 17 de janeiro de 2002 as 23:27, por: cdb

As declarações do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB) – para quem “tudo é possível” em política – causaram mal-estar nesta quinta-feira no ato de apresentação da pré-candidatura do senador Pedro Simon (PMDB-RS) a presidente. Na sede do diretório paulista, os dirigentes do partido esforçaram-se para mostrar que a legenda estava unida em torno de chapa própria. Não conseguiram.

“Vejo com preocupação essa análise do Itamar sobre o outro lado do rio”, provocou o presidente nacional da sigla, deputado Michel Temer (SP). “Isso é uma contradição, porque ele sempre sustentou a tese do rompimento com o governo”. Na tentativa de acalmar os ânimos, o governador enviou uma cópia da nota com o desmentido para a reunião de São Paulo. Além de Simon e Itamar, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, está inscrito para disputar a prévia presidencial na agremiação. Mesmo entre peemedebistas, Jungmann é visto como “linha auxiliar” do Planalto.

Temer admitiu a possibilidade de adiar a prévia, marcada para 17 de março. “Isso pode ocorrer”, observou. “A candidatura própria fortalece o partido, mas não podemos nos lançar numa aventura”. Michel Temer disse ter “apreço muito grande” por Simon. Ressalvou, porém, que é preciso ficar atento às pesquisas. No mínimo até maio. “Um certo pragmatismo é necessário”, argumentou.

Sempre chamando o PMDB de MDB, Simon fez um discurso inflamado para uma platéia de 300 pessoas, lembrando os velhos tempos. “Se não tivermos candidatura própria, o MDB vai virar um partidinho de segunda classe”, previu. O senador admitiu divergências na seara peemedebista, mas disse confiar na união, ainda que tardia. “Nunca vamos ser um partido como o PFL, que tem comando, que dirige, que dá ordem. Nem como o PPB, acostumado ao lema ´quem não manda, obedece´”, comentou.

“O MDB é um partido de debate.” Simon criticou a “produção” dos candidatos por marqueteiros. “Houve aí um moreninho saído da tesouraria da fábrica do Maluf e, de repente, transformaram o homem numa coisa fantástica, um gênio. Deu no que deu”, afirmou, numa referência ao ex-prefeito Celso Pitta (PSL), afilhado político do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Cabo eleitoral de Itamar, o presidente do PMDB paulista, Orestes Quércia, defendeu uma candidatura com “projeto nacionalista”. “Pregamos o que é desmerecido pelos tecnocratas sem pátria que mandam no País”, atacou.