Décima sexta noite de baderna leva França a medidas drásticas

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Publicado sábado, 12 de novembro de 2005 as 13:12, por: cdb

A França proibiu, neste sábado, agrupamento de pessoas para evitar tumultos em Paris, enquanto milhares de policiais patrulhavam a capital depois da décima sexta noite de distúrbios urbanos em todo o país. A polícia disse ter adotado a proibição de agrupamentos depois de ter tomado conhecimento de mensagens circulando pela Internet e pelos celulares conclamando violência na capital. Paris até agora tem escapado em grande parte da violência de jovens descontentes com o desemprego, o racismo e a falta de oportunidade nos subúrbios pobres do país.

Os distúrbios perderam intensidade desde que o governo do presidente Jacques Chirac anunciou medidas de emergência na terça-feira, incluindo toques de recolher, mas aumentou um pouco na última noite. Cerca de 502 veículos foram incendiados pelo país, em comparação com 463 na noite anterior, apesar de ter havido menos incidentes nos subúrbios da capital, informou a polícia.

Os jovens atacaram uma escola primária durante a noite em Savigny-Le-Temple, no sudeste de Paris, e destruíram a creche. Cerca de 30 pessoas atacaram um transformador de energia em Amiens, deixando a parte norte da cidade na escuridão, segundo a polícia. Duas lojas em Rambouillet, cidade ao sudoeste de Paris, foram destruídas e a polícia prendeu 206 pessoas. Na cidade de Carpentras, no sul da França, uma pessoa em uma lambreta atirou duas bombas incendiárias em uma mesquita antes de fugir. As pessoas dentro da mesquita testemunharam o ataque, mas houve poucos danos e ninguém ficou ferido.

O presidente Chirac e seu primeiro ministro, Dominique de Villepin, condenaram o ataque.

Chirac sob pressão

A proibição a que as aglomerações entrou em vigor às dez horas da manhã (horário local) e deve permanecer até as oito horas da manhã de domingo. Uma força extra de três mil policiais foi espalhada pela capital na sexta-feira, no feriado do Armistício que marcou o final da Primeira Guerra Mundial.

Chirac e seu governo têm sido criticados pela forma como estão lidando com os distúrbios, que envolvem jovens brancos e cidadãos franceses de origem árabe ou africana.

A violência chocou os franceses e Chirac disse ao governo para resolver rapidamente os problemas nos subúrbios mais pobres, reconhecendo que foram cometidos erros.