Debatedores pedem mais pesquisa no setor industrial, de aviação e agricultura

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Publicado quarta-feira, 31 de agosto de 2011 as 12:35, por: cdb

Em seminário, o diretor-presidente da Embrapa, Pedro Antonio Arraes, defendeu o aumento do investimento em pesquisa e desenvolvimento no País de 1,61% para 3% do PIB. Deputados querem atualizar legislação de ciência e tecnologia.

Reinaldo FerrignoPaulo Mol Júnior, da CNI, afirma que inovação tecnológica aumenta produtividade e exportação.

Participantes de seminário sobre inovação tecnológica destacaram nesta quarta-feira (31) a necessidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento em áreas como aviação, agricultura e indústria. No evento promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, eles também pediram políticas públicas de apoio à inovação e o aperfeiçoamento da legislação de ciência e tecnologia.

O seminário encerra um ciclo de eventos sobre inovação tecnológica promovido pela comissão em agosto. O presidente do colegiado, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), acredita que os debates subsidiaram os deputados para a tarefa de atualizar a legislação do setor. Ele informou ter recebido uma proposta de novo Código de Ciência e Tecnologia, formulada pelo Fórum Estadual dos Secretários de Ciência e Tecnologia e por entidades científicas, que será subscrita por deputados da comissão e transformada em projeto de lei. Segundo ele, a comissão deverá votar a proposta nos próximos meses.

Setor industrial
O gerente-executivo de Estudos e Políticas Industriais e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol Junior, afirmou que a inovação precisa ocupar o centro da política industrial brasileira. “A inovação é a chave para o crescimento sustentável, porque permite a criação de novos produtos, gerando ganhos de produtividade e o aumento das taxas de exportação”, explicou.

Segundo ele, o Brasil é considerado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) um “difusor de tecnologia”, ao lado de Rússia, Índia e China. Trata-se de países que, sobretudo, absorvem tecnologias desenvolvidas no exterior e as adaptam à realidade local. Conforme o Pnud, os chamados “líderes da fronteira tecnológica”, que criam tecnologias e conhecimento, são os Estados Unidos, Japão, Alemanha, Suécia, Suíça e França. Já os “seguidores de líderes” são Coréia, Taiwan, Finlândia, Israel e Irlanda.

Porém, conforme Paulo Mol, a China teria um plano concreto para subir de nível, o que deve ocorrer rapidamente. “Isso que não ocorre no Brasil, embora houvesse potencial para isso”, disse. “O Brasil detém 20% da biodiversidade do mundo, mas investe pouco em pesquisa e desenvolvimento”, explicou.

De acordo com o gerente, o País poderia ser referência em inovação nas áreas de medicina, fitoterapia, cosmética e nanotecnologia. Alguns desafios para atingir esse objetivo, para Mol, seriam a formação de recursos humanos qualificados; a melhoria do marco legal de apoio à inovação; e a atração de centros de pesquisa e desenvolvimento de empresas estrangeira.

Agricultura
O diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Antonio Arraes, afirmou que o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) hoje representa 1,61% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele acredita que esse percentual deveria ser de no mínimo 3%.

Segundo Arraes, metade desse investimento é feito pelo setor público e metade pelo privado. “O empresário investe pouco em P&D”, disse. Conforme o diretor, embora normalmente considerada um setor atrasado, a agricultura é um caso de sucesso na inovação. Porém, inovações consolidadas, como a inseminação artificial, ainda não seriam acessíveis a grande parcela de produtores.

Beto OliveiraCientista Silvio Meira: pesquisa aponta Brasil com maior taxa de empreeendedores.Aviação e petróleo
O vice-presidente de Relações Institucionais da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), Jackson Schneider, também pediu políticas públicas que incentivem a pesquisa, o desenvolvimento industrial e a educação, com foco em capacitação tecnológica e profissional. Ele destacou que a Embraer está presente hoje em 90 países, trabalhando com as tecnologias mais modernas existentes no mundo. Uma das chaves para isso seria o investimento na qualificação de pessoal.

Segundo Schneider, no setor de aviação, o Brasil está no topo do ranking mundial em inovação em recursos humanos. Além disso, ressaltou que, no setor, se faz “pesquisa pura”, ou seja, começando do zero. “Poucos ramos industriais no Brasil fazem pesquisa pura. Na maior parte das áreas, tecnologias de fora são aperfeiçoadas aqui”, explicou.

O gerente de Estratégia Tecnológica do Centro de Pesquisas da Petrobras, Roberto Murilo de Souza, disse que os bons resultados da Petrobras são resultado de sua capacidade tecnológica. De acordo com o gerente, o desenvolvimento tecnológico é feito com parceiros, como fornecedores e universidades. “No período de 2006 a 2010, o investimento total da Petrobrás em P&D foi de 1,2 bilhão de dólares”, informou.

Novas políticas
Para o cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Silvio Meira, políticas públicas podem ajudar a criar um “ambiente para novos negócios inovadores de crescimento empreendedor” – negócios que podem resolver problemas do mercado de forma inovadora. “O Brasil é o país com maior taxa de empreendedores entre 18 e 64 anos”, destacou, citando dados de pesquisa realizada com 17 países membros do G20 (Global Entrepeneurship Monitor – GEM 2010). Ele ressalta, porém, a dificuldade de essas empresas se consolidarem, especialmente por conta dos altos custos trabalhistas no País.

Segundo o deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), 50% dos bens que a população mundial estará consumindo daqui a dez anos ainda não foram inventados. Ele se preocupa com o contigenciamento de recursos na área de ciência e tecnologia que vem sendo promovido pelo governo.

Reportagem – Lara Haje
Edição – Daniella Cronemberger