De quem é a culpa, minha?

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 22:38, por: cdb

Há alguns dias, me deparei com um acontecimento que me levou a constante reflexão: “O que estou fazendo com o meu dinheiro?”. Descreverei o episódio e entenderão o fato.

Em julho do ano corrente, solicitei à Telefônica a instalação da conexão banda larga (Speedy). Mas, descobri que para que o serviço se completasse eu precisaria contratar também um provedor. Portanto, eu teria que desembolsar mensalmente, além dos R$ 74,80 de instalação, aluguel do modem e acesso para a empresa de telefonia, mais R$ 44,90 do provedor (Terra).

Tudo bem, como todo “bom” brasileiro solicitei o serviço, pois no momento preciso dele para trabalho. As coisas corriam bem, eu pagava e eles me ofereciam o serviço. Até que num belo dia, ou melhor, numa bela noite de trabalho a minha conexão “caiu”. Reiniciei meu computador, desliguei e liguei novamente e nada, não conseguia mais acessar nenhuma página. Com isso, meu trabalho já estava com atraso de quase meia hora.

Pensei que já que pago R$ 119,70 mensalmente por esse serviço, com certeza terei um ótimo atendimento no suporte técnico.

Resolvi ligar primeiramente ao provedor. O fulano que me atendeu disse: “Nome de usuário, por favor”. Eu respondi e já fui logo explicando o problema, pois eu estava no meio de um expediente de trabalho e não tinha todo tempo do mundo.

Mas com isso ele me disse: “Um minuto, por favor”, como sempre é claro. Quando ele retornou vocês não imaginam o que eu ouvi. “Senhora, o plano de provedor que possui não cobre esse tipo de assistência técnica, para podermos te ajudar nesse problema a senhora terá que pagar mais R$ 14,90.

Bom, acho que já imaginam qual era a resposta que eu queria dar a ele… Mas com a educação que me restava ainda naquele momento, que não era muita, eu disse: “Mas e os R$ 44,90 que já pago é pra que então, para gerarem uma senha pra mim e só?”.

Bom eu ainda tinha a segunda opção. Liguei para o serviço de telefonia. Sabem quanto tempo eu fiquei ouvindo aquela musiquinha de espera? Mais de uma hora, cronometrada no relógio. E ninguém se quer veio me dizer pra aguardar mais um pouco.

E daí? Agora as minhas opções tinham se esgotado. O meu dinheiro já estava perdido, e o meu tempo de trabalho também. E eu ia ligar pra quem agora? Para o Presidente da República? Não, não, ele não tem culpa.

Vou ligar então para o ex-presidente, porque afinal foi ele quem vendeu o serviço de telefonia brasileiro, não foi? Não, não, mas ele também não tem culpa, vendeu bem…

Então pensei mais uma vez, como imagino que muitos de vocês, não tenho saída.

Fiquei mais umas horas tentando conectar até que consegui com a conexão discada, ou seja, continuei o meu trabalho, mas além de tudo que eu já pago, ainda tive que pagar pulsos até o sistema voltar a funcionar.

Concluindo, mais uma vez eu paguei por um serviço que não tive retorno.

É, talvez a culpa seja minha mesmo.

Fernanda Moraes é repórter do Correio do Brasil.