Davos quer responder a Porto Alegre, diz Ibase

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 20:20, por: cdb

Apesar de contar com um ponto de conexão, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos dois eventos, o presidente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski, afirmou nessa quarta-feira que “não há ponte a ser feita entre nós e eles”, numa referência ao Fórum Econômico Social (FSM) e ao Fórum Econômico Mundial. Questionado sobre uma possível aproximação de temas entre os dois eventos, o dirigente analisou que a reunião econômica está sendo obrigada a discutir questões como pobreza e crise social. “São eles que estão querendo responder a nós”, comentou. O Ibase é uma das entidades que formam o comitê organizador do FSM.

Como “cidadão”, Grzybowski disse ficar incomodado com a presença de Lula na reunião da elite econômica, realizada em Davos, na Suíça. Ele elogiou, contudo, o fato de o presidente incorporar teses defendidas pelas organizações não-governamentais que promovem o FSM, como a taxação do capital financeiro e a aproximação entre países do hemisfério sul. “Tem coisas novas no plano internacional”, declarou.

Ao comentar a possibilidade de Lula ser vaiado nessa quinta-feira, quando irá participar do FSM, o dirigente avaliou que o presidente merece “em parte” demonstração crítica. “O que Lula está tentando fazer é o possível, sem mudar o macroeconômico” analisou. Grzybowski disse que sua crítica a Lula é sobre a “falta de ousadia do Governo”. Para o dirigente, os estrangeiros presentes ao FSM irão aplaudir o presidente, que “é visto como a alternativa no mundo que tem Bush”