Cyro Miranda propõe Dia da Corrupção em protesto à absolvição de Jaqueline Roriz 

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Publicado quarta-feira, 31 de agosto de 2011 as 13:17, por: cdb

Em protesto contra a absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), o senador Cyro Miranda (PSDB-GO) sugeriu, nesta quarta-feira (31), a instituição do Dia Nacional da Corrupção a ser comemorado no dia 30 de agosto. Nessa data, a cassação da deputada foi rejeitada pelos seus colegas. Com ironia, o senador afirmou que não lhe restou outra atitude, diante da institucionalização da corrupção, além de criar um dia para homenagear a prática.

– Parece-nos que, lamentavelmente, a vergonha não existe mais: a vergonha de receber propina, a vergonha de pegar caronas em jatos particulares, a vergonha de fazer convênios fantasmas, a vergonha de desviar o dinheiro público. Não há mais vergonha no Brasil. Existem argumentos para tudo, e assim vai se justificando a atitude imoral, antiética, antirrepublicana e antidemocrática – lamentou.

Cyro Miranda destacou que nem mesmo as imagens da deputada recebendo dinheiro supostamente ilegal, gravadas em vídeo periciado pela Polícia Federal, tiveram força para convencer os deputados federais a cassar seu mandato. O senador lembrou que Jaqueline Roriz, em seu discurso de defesa no Plenário da Câmara, justificou que, à época da gravação, não era parlamentar nem tinha parente no primeiro escalão do governo.

– Então só faltou dizer “eu posso”. Foi um exemplo nefasto que a Câmara deu a este país – criticou o senador.

Classificando a situação como “deplorável”, Cyro Miranda afirmou que a tese de que o que foi feito antes do mandato não é motivo para punição no Congresso é insustentável sob qualquer ângulo legal. O senador questionou se não teriam importância as vidas antes do mandato e se um parlamentar poderia, por exemplo, matar, roubar ou mesmo cometer crime de pedofilia antes de ser eleito.

A única esperança, na avaliação de Cyro Miranda, é que 166 deputados votaram pela cassação, recomendada pelo relator do processo, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

– Quando o parlamento vira as costas ao povo não há duvidas: o estado de direto o perde o lastro e a sustentação – lamentou.

Da Redação / Agência Senado