Cúpula Ibero-Americana começa com divergências e ausências expressivas

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Publicado sábado, 16 de novembro de 2002 as 00:51, por: cdb

Dignatários de ibero-américanos iniciaram nesta sexta-feira, na cidade de Bávaro, na República Dominicana, a décima segunda cúpula da região, revelando divergências e significativas ausências.

A conferência foi inaugurada pelo presidente dominicano Hipólito Mejía, anfitrião do encontro, que se realiza sem a presença dos presidentes de Cuba, Fidel Castro, do Peru, Alejandro Toledo, e do Panamá, Mireya Moscoso.

A agenda da cúpula abrange uma extensa variedade de temas, que vão desde o terrorismo até a questão do desenvolvimento sustentado, passando que consolidação da democracia e o estado de direito na região.

Questão do protecionismo

A maior divergência da cúpula ficou evidente já na quinta-feira, quando o chanceler da Argentina, Carlos Federico Ruckauf, apoiado por seu colega uruguaio, propôs uma posição de recusa unânime da América Latina à política de protecionismo agrícola dos Estados Unidos e da União Européia.

A proposta argentina, durante a reunião dos chanceleres para a aprovação da Declaração de Bávaro, a ser firmada pelos presidentes neste sábado, encontrou vigorosa oposição de Portugal e da Espanha.

O chanceler português Antonio Martins da Cruz afirmou que, na qualidade de representante dos países europeus, não poderia assinar nada que atentasse contra os compromissos da União Européia.

A questão evoluiu para formulação, pela Argentina, de um documento à parte da declaração final, que seria assinado pelos países interessados.

Outros países, como Colômbia e México, estão dando ênfase à necessidade de um pronunciamento enérgico contra o terrorismo.

A conferência é realizada em meio a críticas sobre os benefícios de tais encontros, que não produziriam mais que comunicados, sem conseqüências objetivas e que não teriam outra utilidade a não ser permitir encontros bilaterais entre os dignitários presentes.