Cúpula do Conselho de Segurança sobre o Iraque é defendido por Chirac

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Publicado sábado, 8 de março de 2003 as 17:13, por: cdb

O presidente da França, Jacques Chirac, contactou vários colegas defendendo a realização de uma cúpula do Conselho de Segurança sobre o Iraque, informaram neste sábado, fontes oficiais.

A proposta para que os chefes de Estado e de Governo dos países do Conselho viajem para Nova York para a votação sobre o projeto de ultimato apresentado por Estados Unidos, Reino Unido e Espanha foi formulada publicamente ontem ao órgão pelo ministro francês de Assuntos Exteriores, Dominique de Villepin.

A reação imediata de Washington foi negativa: o secretário de Estado americano, Colin Powell, achou que a sugestão não era útil, dado que os líderes das nações já manifestaram suas posições “aberta e francamente”.

A rejeição de Powell à idéia da cúpula não dissuadiu o Palácio Eliseu, que informou que Chirac encontrou ecos “positivos” sobre a proposta em seus contatos com vários líderes, não identificados.

Ao mesmo tempo, as fontes reiteraram que a França se mantém firme: “A resolução-ultimato não é aceitável e, portanto, não será aceita pela França”.

“Aconteça o que acontecer, rejeitaremos toda resolução que autorize a guerra”, destacaram as fontes, deixando transparecer a ameaça de um veto, se for preciso, como já fez Villepin no Conselho na sexta-feira, embora Paris continue achando que, por enquanto, a maioria dos membros do organismo permanece favorável à continuidade das inspeções.

No domingo à noite, o ministro francês de Assuntos Exteriores fará uma viagem relâmpago a Angola, Camarões e Guiné, três dos seis países “indecisos” do Conselho de Segurança que têm em suas mãos o desenlace da votação sobre o projeto dos EUA.

Washington, que também empreendeu intensas negociações diplomáticas na busca por votos, quer que o texto, que dá ao Iraque a chance de se desarmar até o próximo dia 17, seja votado a partir da próxima terça-feira ou mesmo nesse dia.

“Quando se decide sobre a vida e a morte”, isto deve ser “feito com o máximo nível de responsabilidade. A guerra não é algo menor, é uma decisão importante”, explicam as fontes próximas a Chirac, defendendo a necessidade de uma cúpula.

“Parece legítimo que a decisão seja tomada pelos chefes de Estado e de Governo”, disseram as mesmos interlocutores.

As fontes reiteraram que a proposta da cúpula é feita em “um espírito de conciliação”, “não de agressividade”.

Na opinião de Paris, a realização de uma cúpula responderia ao interesse dos Estados Unidos, particularmente quanto à perspectiva de uma eventual reconstrução do Iraque, para a qual, diz França, a ONU será “inescapável”.

O Palácio Eliseu antecipa uma razão adicional: a necessidade de se refletir sobre o problema internacional da gestão de crises.

A situação atual de grandes divergências quanto ao alcance de um consenso sobre o desarmamento de Iraque pode se repetir em outros casos atuais, como o conflito israelense-palestino e da Coréia do Norte, opina o Palácio Eliseu.

Por outro lado, as fontes reiteraram que as inspeções de desarmamento no Iraque estão apresentando resultados e que esse país já não representa um perigo imediato que justificasse uma guerra.

Os EUA já ganharam, dado que o Iraque está “sob tutela”, com as inspeções da ONU, disseram.